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Osório Falleiros da Rocha cercado por amigos barretenses    
 
 
CULTURA
 

DEPOIMENTO DE OSÓRIO FALLEIROS DA ROCHA
(17 de março de 1885 a 16 de abril de 1976)

 

Meu nome é Osório Falleiros da Rocha.

Nasci em Patrocínio do Sapucaí, em 17 de março de 1885.

Ao longo de minha vida, fui orador, publicista, jornalista, pintor, poeta, compositor, professor. Fui revolucionário paulista de 32. Dirigi o primeiro diário de Barretos em 1917. Fundei a Sociedade Escolas de Barretos. Fui advogado por mais de 30 anos.

Com minha esposa Genoveva Franco da Rocha tive os filhos Paulo, Uriel, Maria de Lourdes, Maria Luiza, Maria Rute e  Maria Tereza.

- Meu principal livro foi Barretos de Outrora, lançado em comemoração ao centenário da cidade, em 1954.

Na imprensa barretense, criei o personagem Caá-Ubi para assinar minhas crônicas, Esboços. Foram mais de 60 anos de atividades na imprensa.

Sempre gostei de contar histórias sobre Barretos. A cidade, em 1917, lançou seu primeiro jornal Diário. Barretos tinha naquele ano 7 mil habitantes, 1.300 prédios e a renda orçamentária de 500 contos. O Frigorífico abatia 80 mil bois e 6 mil porcos anualmente.

- Tenho muitas lembranças de 1920. Em março daquele ano, fui com Emílio Pinto ao Rio de Janeiro, influenciados pelo dr. Bezerra, prestar exames na Escola de Direito. Estes exames foram anulados, porque se tratou de um “golpe”. Em junho, vendi as terras herdadas com a morte de meu pai  e apliquei o dinheiro na construção da minha casa.

Em 1920, o dr. Raul Julião era o promotor, o juiz  Belmiro Simões e o padre, o português Manuel da Costa Gomes, que foi vigário até 16 de julho de 1922.

Creio que poucas vezes na história, uma visita  foi tão festejada como a realizada por Coelho Neto a Barretos, em setembro de 1920. Posso assegurar que Coelho Neto era o semeador palmeirim evangelizador do civismo e da esperança.

Coelho Neto, para todos os que se lhe aproximaram, teve uma palavra amável, deixou seu autógrafo em álbuns, em livros e retratos, em folhas de palmeiras, posou em grupos íntimos e com cada um dos seus admiradores, para instantâneos que ficarão como relíquias.

Um dos amigos a saudar o ilustre visitante foi o advogado Francisco de Assis Bezerra Filho. Cearense, veio do Acre para Barretos em 1918. Pouco depois, trouxe a esposa Ilnáh e os filhos Lais, Nelly e José.

Quando passou pelo Grêmio, o principal clube barretense, Coelho Neto escreveu:

- É doce ao lavrador, depois de um dia árduo de trabalho, ao sol, recolher-se à sombra da árvore e ouvir as cigarras. Esta casa é a árvore de sombra amena a que se acolhem os valentes que transformaram a braveza do sertão em uma cidade carinhosa e rica...as cigarras, são os poetas que cantam nas folhas dos livros”.

Coelho Neto ficou tão agradecido com a acolhida feita pelos barretenses que em junho de 1921, portanto menos de um ano da primeira visita, retornou à cidade. Foi então acolhido carinhosamente por Emílio Pinto.

Ora, estes dias de chuva, este delicioso isolamento, são-me propícios à mais doce das ocupações: recordar.

Caá-Ubi.

 

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