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CRÔNICAS
 

Amigos, nordestinos!
A festa do peão é para cabra macho, que tem sensibilidade para ver asa branca.
Logo chegando no Parque, você vê na entrada a estatua do peão. Ali, nas noites de agosto, com o ipê amarelo florindo, o monumento sente o vento gelado batendo em seu rosto.
O nordestino vem como turista ver o que a baiana não tem, mas toda amazona esbanja. Toca o triângulo para acompanhar os 3 tambores. Então sim, começa a festa num forró que Santo Antonio admira e São Bartolomeu não esquece pela queima do alho.
A festa do peão de Barretos é o tempo em que se deixam de lado os fatos e se revive a fantasia. Os nordestinos entendem bem o sentido do exagero. O maior buracão, o maior peão e por fim o melhor tombo do lombo do couro do touro.
Todo nordestino deseja um pronunciamento mais imprevisível para exaltar o rodeio, de forma a tornar a montaria delirante. Mas todo retirante sabe que porteira aberta é sinal de imprevisto, improvável e imponderável.
O rodeio é uma certeza absoluta que não há o menor nexo entre a gargalhada do palhaço salva vida na arena e a sonoridade do touro nos bretes. Isto quer dizer: segura peão, que o chão é o limite.

Luiz Antonio Monteiro, especial para O Diário
 

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