EXPERIÊNCIA
DE DEUS
O relato de uma experiência de Deus emociona sempre.
Quando feito por uma mulher jovem, inteligente e charmosa tem a força de uma
viagem pela alma. Os encantos são realçados e a beleza ganha efeito de fé.
- Eu já revelava uma barriguinha da gravidez – começou, recordando.
Fiquei atento aos detalhes. Não fiz nenhuma anotação por escrito, firmando
atenção no seu olhar e em cada palavra colocada. “Era quase um exame de rotina,
para avaliar o quinto mês do bebê. Algo de diferente estava acontecendo na
gestação e a orientação médica era para fazer a avaliação no hospital”, lembrou.
- Perdi a menina. E foi durante este instante que senti mais próxima de mim a
presença de Deus. Não tem como explicar como tudo aconteceu e nem a razão. Mas
naquele momento eu senti a experiência de Deus intensamente – contou.
A imagem da jovem mãe ainda espelha certa tristeza, uma lembrança de saudade
profunda, uma recordação de um período de intensa transformação interior. “Eu
ouviu atenta a explicação científica e a justificativa médica. As palavras
técnicas servem de esclarecimento, mas não ajudam a consolar. Ao contrário. As
explicações aumentam o grau do questionamento, a tentativa de entender por que
isto aconteceu justamente comigo, por que “deu errado”? – acrescentou.
A última palavra que escutei da história da jovem mãe foi sua decisão de “agora
esperar um tempo” para tentar uma nova gravidez. Um período no “deserto da
oração” para assimilar as lições geradas por perder a criança no quinto mês de
gravidez.
As experiências de Deus que tenho ouvido trabalhando na Rede Vida de Televisão
são sempre fortes. Toda quarta-feira, o Canal da Família transmite ao vivo a
missa do santuário da Fazenda da Esperança. Muitas vezes, a celebração é
presidida pelo Frei Hans Stapel, um alemão amigo do papa Bento XVI, que fundou a
instituição. Os relatos das experiências de Deus na Fazenda da Esperança são
emocionantes, porque é testemunho vivo de viciados em recuperação. Quanto maior
o sofrimento, mas forte o coração é tocado por Deus.
- A alegria extravasa e a presença humana é autosuficiente. A tristeza
interioriza e então a presença divina é a automática.
Naquele sábado, fui à missa dos amigos de Santo Antonio. Fiquei pensando no caso
da jovem mãe separada prematuramente de seu bebê. Orei para entender. Rezei para
aumentar a fé e compreender a justiça eterna. Ao final da missa, um garoto de
olhos claros, lindo, no colo da mãe. O vigário fez um carinho no menino e disse,
assustando a mulher:
- Este menino é tão bonito que vai ser padre!
Certamente não é este o plano da mãe do menino. Não disse nada, mas talvez tenha
idealizado para o filho um futuro de alegrias, passeios, conquistas e vitórias.
Fez um projeto muito diferente, que não inclui seminário, teologia, filosofia,
castidade, pobreza e muitos sacrifícios cotidianos. Mas quem é que sabe os
desígnios de Deus para aquela criança.
- Era a resposta que eu estava procurando.
Algumas crianças nascem para realizar com sua “liberdade de filhos de Deus” uma
missão. Cada um recebe os talentos – conforme narra o evangelho – e os utilizam
conforme sua escolha e vontade. Outras não chegam a nascer, porque são
escolhidos para formar a corte celestial dos “anjos do céu”.
- As crianças que morrem muito cedo – algumas antes mesmo do natal – geradas na
pureza da concepção de pleno amor, ficam com Deus no paraíso sem o castigo de
passar pelas turbulências e provações da vida terrena.
As reflexões teológicas motivam a buscar novas fontes de inspiração para a
esperança. Mas como entender efetivamente as experiências de Deus? A questão
mereceu um comentário fraterno e profundo da psicóloga terapeuta Maria Iginia
Sanches. Com seu tom amigo e sábio, a educadora barretense resumiu:
- A experiência de Deus é singular, porque afeta cada individuo de uma maneira
única.
Foi assim exatamente que aconteceu com a jovem mãe. É comum petrificar as
emoções na memória. Na realidade, tudo está em continua mudança e, conseguindo
assimilar os seus sinais, somos surpreendidos por sua novidade, profundidade e
intensidade.
Luiz Antonio Monteiro é membro do Conselho Superior do Instituto Brasileiro
de Comunicação Crista – Inbrac – e apresentador da Rede Vida de Televisão.