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CRÔNICAS
 

 

PATRÍCIA

Querida amiga Patrícia Inácio.

Penso que certa “angústia que tem aflorado em você “emerge de seus esforços  conscientes ou inconscientes, para lidar com os fatos duros da vida, os jogos e encargos existenciais. Acho isso muito natural e humano.

Creio que é esta angústia serve de base para entender as “dificuldades a serem superadas” no cotidiano. Motiva igualmente no sentido de acreditar ser possível enfrentar as verdades da existência e aproveitar o seu poder para a mudança e o crescimento pessoal.

Adoro conversar com você, na condição de estrela do basquete feminino barretense,  especialmente para entender “o jogo e seu interior”. É o que chamo de “atleta interior”.

Penso – estimada armadora – que embora a aceitação da responsabilidade conduza uma atleta ao limiar da mudança, é insuficiente. A aceitação não é sinônimo de mudança

Na verdade, o que tenho visto e aprendido diz que a mudança é, sempre, a verdadeira preciosidade, muito embora a aceitação de responsabilidade e a auto-realização sirvam de sinais.

- A liberdade não apenas requer que se aceite a responsabilidade por escolhas de vida, como também pressupõe que a mudança demanda um ato de vontade.

Creio que o principal motivo da ação é a vontade.  Portanto, você como atleta precisa definir o que efetivamente quer.

A liberdade se desenvolve pela vontade.  O “Eu Quero” é o começo que, depois, se realiza por meio da decisão de agir. Algumas atletas têm desejos bloqueados, não sabem o que sentem nem o que querem. Outras atletas não conseguem decidir. Embora saibam exatamente o que querem e o que precisam fazer, não conseguem agir.

Entendo que não é o seu caso, caríssima Patty 09.

- Decisões são difíceis por muitas razões e excelentes desculpas.

Um famoso escritor norte-americano enfatizou que “um dos grandes paradoxos da vida é que a autoconsciência provoca angústia”. Não é, portanto fácil tomar decisões, até pela incerteza gerada. Mas é determinante e indispensável para a felicidade.

O verdadeiro âmago da questão é o encontro afetuoso consigo mesmo, com seu presente, o momento atual, que serve para semear o futuro. Por isto mesmo o professor Dan Millman afirmou:

- Desejos e amor impelem para frente. O medo, a resistência e a fuga forçam para trás.

O sucesso de uma equipe passa pela superação das fragilidades individuais para encontrar no conjunto o seu esplendor. Mais ainda: assim como é preciso ter força, garra e esquema tático, fundamental o grupo ter uma alma representativa do “tesouro”. Uma alma é sempre uma flor frágil e breve, que encanta e altera o cenário. Representa tanto a fé, com a esperança. É o foco estabelecido, sinal humano da meta a ser atingida.

A alma de uma equipe significa que existe uma atleta que aprendeu a confiar nos instintos de seu corpo, na intuição do seu coração e na capacidade que sua mente, símbolos autênticos da vitória e do êxito em plenitude.

Ser a alma do time é sua vocação, querida Patrícia Inácio.

 

Luiz Antonio Monteiro é torcedor do time da APAB. 

 

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