TIA
CÉLIA
Tia Célia é uma
ouvinte das minhas crônicas. Diariamente, sua secretária particular faz a
leitura dos artigos publicados. Uma semana depois ainda guarda na memória uma
expressão ou comentário para conversar e opinar.
- A senhora é teimosa como
todo Barbosa! – chego sempre brincando.
Célia Barbosa Sandoval nasceu
em Ituverava, em 12 de janeiro de 1924, filha do Artires e Chiquita, irmã do
delegado Irlandino Neto Sandoval e tia da minha esposa Márcia. Teve uma AVC
antes dos 50 anos. Morou em Ribeirão Preto com a irmã. Depois que Tereza morreu atropelada
atravessando a rua, veio morar em Barretos.
- Será que vou chegar aos 84
anos? – questiona com infantil.
- Do jeito que vai indo, vai
chegar aos 104 – respondo.
A pergunta é na verdade uma
provocação. Célia tem dificuldades para andar e seqüelas do acidente vascular.
Mas tem “muita pressa” para resolver as pendências, tirar suas dúvidas e pautar
respostas.
- Apesar de ter muito tempo,
é pressionada pela impaciência. Sabe que é mais rápido identificar uma falha do
que consertar.
Com uma memória privilegiada,
recorda detalhes do passado, lembra datas e histórias, revive momentos
eternizados.
Tia Célia Barbosa Sandoval
agora está se preparando para o casamento da Mariana. Estava em Ribeirão Preto quando a primogênita nasceu. Tratou de vir logo a Barretos
para conhecer a “princesinha”.
- Agora a senhora vai
precisar de paciência para ver o filho da Mariana – comento.
- Só que não pode demorar
muito não – responde com a pressa de sempre.
Morando na rua 14, tia Célia
assiste as missas na Rede Vida e recebe cuidados do Fabio, da Ana e do Caiel.
Além da assistência das secretárias particulares.
- Assuntos na agenda para
conversar são a fazenda do Limão e o apartamento de Ribeirão.
No fim de semana, abri o
livro do Eclesiásticos 7,25, no trecho que dizia:
- Casa a tua filha e terás
concluído uma grande tarefa., mas entrega-a a homem sensato.
Acho que é um bom tema para
conversar com a tia Célia na minha próxima visita de sábado: como levar a filha
ao altar da Catedral dia 5 de novembro.
- Vamos ver o que a leitura
que escuta as crônicas tem a dizer.
Luiz
Antonio Monteiro é membro do Conselho do Inbrac.