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CRÔNICAS
 

 

A CACHORRA VIRA LATA DA RUA

Meu pai tem títulos de cidadania, diplomas e medalhas, até mesmo uma condecoração do Vaticano. É um líder, um dirigente lúcido, um cristão verdadeiro. Domingo, antes de viajar para São Paulo, abraçou sua esposa e disse:
- Você teve um gesto muito bonito. Sinto muito orgulho de você.
Observei calado todo o tempo. Prestei atenção. Meditei bastante. A dona Luiza Cardilo Monteiro de Barros tem muitos dons e carismas. E quando atentamos para seus gestos concretos e reais, as lições tocam profundamente o coração, a mente e a alma.
- Só mesmo a Luiza para pegar uma cachorra de rua atropelada, trazer para sua casa e cuidar como se fosse sua – observou meu pai.
Era uma palavra de conforto. Tudo porque, apesar da atitude de amor e doação, a cachorra vira lata – sem dono e cuidado – tem poucas chances de sobreviver. Foi atropelada na rua, abandonada sem atendimento e está muito ferida. Pode não resistir, apesar do socorro maternal.
- Abriu sua caixa de medicamentos e até conversou com um médico para saber que tido de tomada passar.
Sou testemunha de muitos outros gestos de amor da dona Luiza Cardilo Monteiro de Barros. Quando chega em casa, antes de que qualquer um note sua entrada, a Sophie já anuncia a sua presença.
- A Sophie faz um escândalo quando minha mãe chega ou vai embora.
Porque ela nunca esquece de levar “papinha”, um “bifinho” ou uma lembrança. E o coração da cachorrinha Yorkshide dispara de entusiasmo.
Acho que o mundo “está precisando de amor de mãe”. Um amor que não é egoísta, não é apenas para os “seus filhos”, mas para todos os “filhos de Deus”.
Foi ela quem mais cuidou da sua sogra. Enquanto dona Inês estava viva, ela cuidou com um amor filial maior do que todos seus filhos. No sábado, ela providenciou carneiro para atender “a fome do Lucas”. Um amor, portanto que não tem idade...
- Feia, ferida, fraca – eis a cachorrinha vira lata da rua que teve a felicidade de parar na porta da casa da dona Luiza. Talvez possa sobreviver. Talvez não. A importância da vira lata agora está no gesto, na ação, na atitude, um comportamento que dignifica o ser humano, a bondade e a esperança da minha mãe.
Além de cozinhando com amor, dona Luiza escreve a vida é cheia de bondade.

Luiz Antonio Monteiro é irmão do Neto e filho de dona Luiza.

 

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