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CRÔNICAS
 

 

DULCE
 

Adoro visitar casa de professora de português. Porque alem de ser recebido com carinho, é possível uma olhada na biblioteca. Ali mora livros de gramática e redação cedidos por cortesia pelas editoras. Os livros têm respostas e são cheios de exemplos.

- Última flor do Lácio, inculta e bela – escreveu Olavo Bilac, acrescentando “amo-te, ó rude e doloroso idioma”, em língua portuguesa.

Em seguida, Gonçalves Dias sustentou que “a vida é combate, que os fracos abate, que os fortes, os bravos só pode exaltar”. Fernando Pessoa ensinou que “vivemos de maneira que a vida que a gente tem é a que tem que pensar”. João Cabral de Mello Neto assegurou: “um galo sozinho não tece uma manhã. Ele precisará sempre de outros galos”.

- Não serei o poeta de um mundo caduco, também não cantarei o mundo futuro – alertou Carlos Drummond de Andrade.

Lição fabulosa vem com Curvo Semedo: “pérola em poder de galo que lhe não sabe o valor, é como entre as mãos dum néscio as obras de um sábio autor”.

Mário Quintana explicou que “há palavras que parecem exatamente o que querem dizer”, citando “esparadrapo”. No entanto, acrescentou, “há outras, alias de nobre sentido, que parecem estar insinuando outra coisa”:

- Incunábulo.

E para concluir toda lição, a frase final de Jânio Quadros: “a inteligência, Deus no-la deu...”

Tudo num único livro do professor. Com soluções para concordância nominal, verbal, pronomes e crases. Ensinando que “todos nós somos poetas em potencial, amando a poesia no vôo de um pássaro, na comovente cura de um joelho feminino, no pôr-do-sol, na  chuva que cai no mar”.

Antes de fechar a obra, ainda um recado sobre o leitor ideal, na expressão do escritor gaúcho.

- O leitor ideal para o cronista seria aquele a quem bastasse uma frase. Uma frase? Que digo? Uma palavra!

Prometi voltar à biblioteca da professora Dulce Helena Xavier Sandoval, em Ribeirão Preto, para concluir o estudo sobre “o leitor ideal” e a arte de ser cronista.

 

Luiz Antonio Monteiro é diretor da Colina FM. 

 

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