ZÉ VICENTE
Quando faço aniversário,
agradeço ter uma esposa compreensiva e companheira, ter filhos que seguem uma
história de família e carregam valores e virtudes. Sinto saudades dos tempos na
rua 24 sem calçadas, nos amigos de escola e dos professores tão queridos.
Quando faço aniversário, ouço
o cantar de Chico Alves, Orlando Silva e Elizete Cardoso, e recordo cada palavra
das composições feitas de Noel, Ataulfo e Tom. E vem na lembrança imagens fortes
dos tempos do Rádio, recordando Antonio Buck, Joel Waldo, Paulo Flosi e Marco
Antonio. E escuto hoje a Rádio Nacional dos anos 50, usando a máquina do tempo
que carrego na alma.
Quando faço aniversário,
recordo os grandes momentos de Barretos, da campanha eleitoral de Christiano
Carvalho, da posse de João Rocha e da criação da FEB com Olivier Waldemar
Heiland sendo o primeiro presidente.
Quando faço aniversário,
rememoro o início da Festa do Peão, as noitadas folclóricas com Wilson Palma da
Rocha e a vinda de Ivon Cury a Barretos. Releio os artigos de Ruy Menezes e de
Osório Rocha e revejo os jornais do Paulo Bezerra.
Quando faço aniversário,
mergulho nas melodias de Bezerrinha, nas poesias de Assis Canoas e Nidoval Reis,
nas trovas de Zé de Ávila. Penso em minha gente e fico na janela esperando a
banda passar.
Quando faço aniversário
escuto o silêncio das noites, mergulho em um milhão de madrugadas e não esqueço
o peão bicharedo. Assisto a missa na Rede Vida com o João, o futebol com o
Fabrini e a Tribuna com Monteiro Neto.
Quando faço aniversário,
penso na vida e nos mistérios entre o céu e a terra, entre o finito e o
infinito, entre o material e o espiritual. Entendo o peso dos anos e toda leveza
do pensamento. Amargo as partidas e comemoro as chegadas. Tenho uma lágrima de
dor e um sorriso de esperança, manuseando fotos de arquivo.
Quando faço aniversário,
desvendo novos fenômenos difíceis e confundo teoremas simples. Novas
experiências, memória mais seletiva, desejos mais humildes, sonhos mais breves,
mais idéias para expor aos amigos.
Quando faço aniversário,
“tanto mais velho quanto mais amor”, caminho um pouco mais ao encontro de Deus.
Eu sou Barretos, ontem, hoje
e sempre.