BEATRIZ DE ARARAQUARA
A Beatriz é uma jogadora de
basquete de Araraquara. Veio a Barretos disputar os jogos colegiais. Sei muito
pouco da garota de 14 anos que começou a chorar, logo depois que recebeu a
medalha de vice-campeã. Mas como fui eu que entreguei sua medalha, também fiquei
extremamente emocionado.
Posso contar o que aconteceu,
se você tem um pouco de paciência. Foi assim.
Fui ao ginásio da Pimenta
para levar a repórter Jaqueline Nunes e o Tininho Júnior. Ambos estavam
escalados para a reportagem e como estavam sem condução, levei a dupla. Entrei
para saber o placar. Sabendo que era a final e que Barretos estava “detonando”.
- O time de basquete feminino
do professor Jesus estava conquistando o bi-campeonato.
Decidi ficar para ver. Um
jogo sensacional. Mas porque Barretos estava vencendo, mas porque havia um clima
de final mesmo.
O secretário Tarcísio
Scannavino me convidou para a cerimônia de premiação. Aceitei com satisfação.
Era oportunidade de saudar os atletas pelo espetáculo oferecido, de superação e
garra. E fiquei ainda mais atento a partida, deixando de ser um curioso para
retomar minha atividade profissional de analista esportivo.
- A Beatriz me encantou.
A partida decidida e o
conjunto barretense melhor. Não havia tempo para mudar o resultado e muito menos
condições de jogar pelo time todo. Mas a jovem garota de Araraquara arremessava
com precisão, marcava a saída de bola, voltava para combater e saia novamente
para o ataque.
- Beatriz perdeu o jogo, mas
ganhou uma lição, uma inspiração para a vida.
Não se ganha um jogo sozinho.
Nem o piloto de formula-1 é campeão sem uma equipe, sem o mecânico que troca o
pneu com rapidez. O piloto completa o trabalho de um conjunto.
A Beatriz teve sua lição de
vida e esporte. Foi guerreira lúcida, atleta corajosa, vencedora na
adversidade. Perdeu o jogo, mas venceu o medo. Perdeu a partida, mas ganhou
vivência. Aprendeu a importância de partilhar, de aglutinar, de superar
dificuldades, de transmitir energia e nunca desistir.
A jovem de Araraquara
valorizou a conquista das meninas barretenses e me fez pensar como é importante
fazer bem minha parte e zelar pelo entrosamento de toda equipe. Ser humilde e
valente, ser persistente e sensível. Chorar de tristeza pela oportunidade
perdida e de alegria por ter vivido intensamente momento de grande emoção, de
vida em plenitude.
Valeu por tudo, Beatriz.