A MALÍCIA DA RAPOSA
O Leão convidou a bicharada
toda para uma festa no Palácio. O primeiro a chegar foi o Urso, que sentindo o
cheiro ruim tampou o nariz.
- Patife! Entrou no meu
palácio de mão no nariz! – disse o rei da selva ofendido. E matou o urso.
O macaco foi o segundo,
sentiu o cheiro ruim, mas viu o urso morto e entendeu a situação. Tratou de
elogiar o palácio, destacando o asseio real, o perfume do ar.
- Safado, está caçoando do
rei! – disse o Leão ofendido. E matou o maçado.
A raposa chegou a seguir.
Logo notou o urso e o macaco mortos e percebeu que na casa dos reis não é de bom
tom ser sincero demais, nem lisonjeiro fora da conta.
- Então – exclamou o rei –
que você acha do meu palácio?
- Para falar a verdade –
respondeu a raposa – não posso dar opinião. Venho da luz e pouco estou vendo
aqui dentro.
- E o cheiro?
- Também não posso avaliar
porque estou sem nariz, resfriada.
E nada aconteceu à raposa.
Tinha 10 anos de idade quando
li a “fábula da malícia da raposa” recontada por Dona Benta através de Monteiro
Lobato. As fábulas não são lições de História Natural, mas de Moral. O urso por
ser grande, pensa que pode falar o que quer. O macaco por ser ágil, crê que pode
ser falso sem conseqüências. Entretanto, é a raposa com sua malícia criativa,
com sua experiência pratica e habilidade de comunicação que consegue superar
“ameaças e dificuldades”.
A arte de malícia cultivada
na inteligência, praticada no cotidiano profissional e amadurecida na caminhada
histórica visa levar a entender que “nada é impossível..só demora talvez um
pouquinho mais”.
Luiz
Antonio Monteiro é membro do Inbrac.