REFLEXÃO

Na santa ceia, Cristo falou aos apóstolos:

- «Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz» (João 14, 27).

Como entender agora o mesmo Cristo dizendo em Lucas 12,51

- Pensais que vim trazer a paz sobre a terra? Pelo contrário, eu vos digo, vim trazer a divisão.

Creio que Cristo disse assim porque sabia que um dia suas palavras seriam escutadas pelos barretenses, durante celebração na Capela de Santa Bakhita.

A paz que Cristo quer significa humildade, simplicidade, bondade.

A paz que Cristo está denunciando é a acomodação, a indiferença, ficar quieto no meu canto sem se importar com o próximo, com a felicidade de todos.

Cristo está dividindo a paz que une, aproxima e cativa da “paz” que separa, indica indiferença, preguiça e egoísmo.

- Eu vim lançar fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse acesso.

O fogo proposto é o amor que queima.

Quando o fogo interior está acesso, é possível fazer maravilhas.

Quando o fogo interior está apagado, nada dá certo, o pessimismo é dominante.

Cristo alerta para uma família dividida, incapaz de perceber a importância do fogo interior que arde e insensível a paz que gera justiça e fraternidade.

Uma família dividida não tem o fogo do amor e da paz.

Uma família dividida deixa de praticar sinais de amizade e união, provocando separações, tristezas e desconfianças.

Cristo quer a paz sinal de comunhão.

Cristo quer o fogo ardente do coração, capaz de ajudar o irmão, amar e ser justo.

Cada um é chamado a colocar fogo no relacionamento de paz e fraternidade. Um fogo que aquece que arde de amor e bondade.

O fogo humano significa entusiasmo pessoal.

O fogo divino significa o Espírito de Amor de Deus.

Santo Inácio enviou São Francisco Xavier ao Oriente com a seguinte orientação:

- Vá e inflame todas as coisas.

Hoje somos chamados a iniciar uma forma inovadora de fogo, não por engenho humano, mas como iniciativa divina. Um fogo que permaneça ardendo em nossa vida, um fogo que acende outros fogos. Com esse fogo de amor e paz, somos chamados a inflamar nossa família e nossa comunidade.

 

Papa Bento XVI cita Santa Bakhita em Carta Encíclica

A Carta Encíclica Spe Salvi – Sobre a Esperança Cristã – do Sumo Pontífice Bento XVI aos bispos, aos presbíteros e aos diáconos, às pessoas consagradas e a todos os fiéis leigos sobre a Esperança Cristã cita no item 3 Santa Bakhita.

O trecho publicado no Brasil pela Paulus e Edições Loyola diz o seguinte:

 

“ O exemplo de uma santa da nossa época pode, de certo modo, ajudar-nos a entender o que significa encontrar pela primeira vez e realmente este Deus. Refiro-me a Josefina Bakhita, uma africana canonizada pelo Papa João Paulo II. Nascera por volta de 1869 – ela mesma não sabia a data precisa – no Darfur, Sudão. Aos nove anos de idade foi raptada pelos traficantes de escravos, espancada barbaramente e vendida cinco vezes nos mercados do Sudão. Por último, acabou escrava ao serviço da mãe e da esposa de um general, onde era diariamente seviciada até ao sangue; resultado disso mesmo foram as 144 cicatrizes que lhe ficaram para toda a vida. Finalmente, em 1882, foi comprada por um comerciante italiano para o cônsul Callisto Legnani que, ante a avançada dos mahdistas, voltou para a Itália. Aqui, depois de « patrões » tão terríveis que a tiveram como sua propriedade até agora, Bakhita acabou por conhecer um « patrão » totalmente diferente – no dialecto veneziano que agora tinha aprendido, chamava « paron » ao Deus vivo, ao Deus de Jesus Cristo. Até então só tinha conhecido patrões que a desprezavam e maltratavam ou, na melhor das hipóteses, a consideravam uma escrava útil. Mas agora ouvia dizer que existe um « paron » acima de todos os patrões, o Senhor de todos os senhores, e que este Senhor é bom, a bondade em pessoa. Soube que este Senhor também a conhecia, tinha-a criado; mais ainda, amava-a. Também ela era amada, e precisamente pelo « Paron » supremo, diante do qual todos os outros patrões não passam de miseráveis servos. Ela era conhecida, amada e esperada; mais ainda, este Patrão tinha enfrentado pessoalmente o destino de ser flagelado e agora estava à espera dela « à direita de Deus Pai ». Agora ela tinha « esperança »; já não aquela pequena esperança de achar patrões menos cruéis, mas a grande esperança: eu sou definitivamente amada e aconteça o que acontecer, eu sou esperada por este Amor. Assim a minha vida é boa. Mediante o conhecimento desta esperança, ela estava « redimida », já não se sentia escrava, mas uma livre filha de Deus. Entendia aquilo que Paulo queria dizer quando lembrava aos Efésios que, antes, estavam sem esperança e sem Deus no mundo: sem esperança porque sem Deus. Por isso, quando quiseram levá-la de novo para o Sudão, Bakhita negou-se; não estava disposta a deixar-se separar novamente do seu « Paron ». A 9 de Janeiro de 1890, foi baptizada e crismada e recebeu a Sagrada Comunhão das mãos do Patriarca de Veneza. A 8 de Dezembro de 1896, em Verona, pronunciou os votos na Congregação das Irmãs Canossianas e desde então, a par dos serviços na sacristia e na portaria do convento, em várias viagens pela Itália procurou sobretudo incitar à missão: a libertação recebida através do encontro com o Deus de Jesus Cristo, sentia que devia estendê-la, tinha de ser dada também a outros, ao maior número possível de pessoas. A esperança, que nascera para ela e a « redimira », não podia guardá-la para si; esta esperança devia chegar a muitos, chegar a todos”.

      

 

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