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MENSAGEM DO PAPA BENTO XVI
44O.
DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS.
O sacerdote e a
pastoral no mundo digital: os novos media ao serviço da Palavra.
O tema do próximo
Dia Mundial das Comunicações Sociais - "O sacerdote e a pastoral no
mundo digital: os novos media ao serviço da Palavra" - insere-se
perfeitamente no trajeto do Ano Sacerdotal e traz à ribalta a reflexão
sobre um âmbito vasto e delicado da pastoral como é o da comunicação e
do mundo digital, que oferece ao sacerdote novas possibilidades para
exercer o seu serviço à Palavra e da Palavra.
Os meios modernos
de comunicação fazem parte, desde há muito tempo, dos instrumentos
ordinários através dos quais as comunidades eclesiais se exprimem,
entrando em contato com o seu próprio território e estabelecendo,
muito freqüentemente, formas de diálogo mais abrangentes, mas a sua
recente e incisiva difusão e a sua notável influência tornam cada vez
mais importante e útil o seu uso no ministério sacerdotal.
A tarefa primária
do sacerdote é anunciar Cristo, Palavra de Deus encarnada, e comunicar
a multiforme graça divina portadora de salvação mediante os
sacramentos. Convocada pela Palavra, a Igreja coloca-se como sinal e
instrumento da comunhão que Deus realiza com o homem e que todo o
sacerdote é chamado a edificar n’Ele e com Ele. Aqui reside a
altíssima dignidade e beleza da missão sacerdotal, na qual se
concretiza de modo privilegiado aquilo que afirma o apóstolo Paulo:
"Na verdade, a Escritura diz: "Todo aquele que acreditar no Senhor não
será confundido". [...] Portanto, todo aquele que invocar o nome do
Senhor será salvo. Mas como hão-de invocar Aquele em quem não
acreditam? E como hão-de acreditar n’Aquele de quem não ouviram falar?
E como hão-de ouvir falar, se não houver quem lhes pregue? E como
hão-de pregar, se não forem enviados?" (Rm 10,11.13-15).
Hoje, para dar
respostas adequadas a estas questões no âmbito das grandes mudanças
culturais, particularmente sentidas no mundo juvenil, tornaram-se um
instrumento útil as vias de comunicação abertas pelas conquistas
tecnológicas. De fato, pondo à nossa disposição meios que permitem uma
capacidade de expressão praticamente ilimitada, o mundo digital abre
perspectivas e concretizações notáveis ao incitamento Paulino: "Ai de
mim se não anunciar o Evangelho!" (1 Cor 9,16). Por conseguinte, com a
sua difusão, não só aumenta a responsabilidade do anúncio, mas esta
torna-se também mais premente reclamando um compromisso mais motivado
e eficaz.
A este respeito, o
sacerdote acaba por encontrar-se como que no limiar de uma "história
nova", porque quanto mais intensas forem as relações criadas pelas
modernas tecnologias e mais ampliadas forem as fronteiras pelo mundo
digital, tanto mais será chamado o sacerdote a ocupar-se disso
pastoralmente, multiplicando o seu empenho em colocar os media ao
serviço da Palavra.
Contudo, a
divulgação dos "multimídia" e o diversificado "espectro de funções" da
própria comunicação podem comportar o risco de uma utilização
determinada principalmente pela mera exigência de marcar presença e de
considerar erroneamente a internet apenas como um espaço a ser
ocupado. Ora, aos presbíteros é pedida a capacidade de estarem
presentes no mundo digital em constante fidelidade à mensagem
evangélica, para desempenharem o próprio papel de animadores de
comunidades, que hoje se exprimem cada vez mais freqüentemente através
das muitas "vozes" que surgem do mundo digital, e anunciar o Evangelho
recorrendo não só aos media tradicionais, mas também ao contributo da
nova geração de audiovisuais (fotografia, vídeo, animações, blogues,
páginas internet) que representam ocasiões inéditas de diálogo e meios
úteis inclusive para a evangelização e a catequese.
Através dos meios
modernos de comunicação, o sacerdote poderá dar a conhecer a vida da
Igreja e ajudar os homens de hoje a descobrirem o rosto de Cristo,
conjugando o uso oportuno e competente de tais meios - adquirido já no
período de formação - com uma sólida preparação teológica e uma
espiritualidade sacerdotal forte, alimentada pelo diálogo contínuo com
o Senhor.
No impacto com o
mundo digital, mais do que a mão do operador dos media, o presbítero
deve fazer transparecer o seu coração de consagrado, para dar uma alma
não só ao seu serviço pastoral, mas também ao fluxo comunicativo
ininterrupto da "rede".
Também no mundo
digital deve ficar patente que a amorosa atenção de Deus em Cristo por
nós não é algo do passado nem uma teoria erudita, mas uma realidade
absolutamente concreta e atual.
De fato, a pastoral
no mundo digital há-de conseguir mostrar, aos homens do nosso tempo e
à humanidade desorientada de hoje, que "Deus está próximo, que, em
Cristo, somos todos parte uns dos outros" [Bento XVI, Discurso à Cúria
Romana na apresentação dos votos de Natal: "L’Osservatore Romano"
(21-22 de Dezembro de 2009) pág. 6].
Quem melhor do que
um homem de Deus poderá desenvolver e pôr em prática, mediante as
próprias competências no âmbito dos novos meios digitais, uma pastoral
que torne Deus vivo e atual na realidade de hoje e apresente a
sabedoria religiosa do passado como riqueza donde haurir para se viver
dignamente o tempo presente e construir adequadamente o futuro? A
tarefa de quem opera, como consagrado, nos media é aplanar a estrada
para novos encontros, assegurando sempre a qualidade do contacto
humano e a atenção às pessoas e às suas verdadeiras necessidades
espirituais; oferecendo, às pessoas que vivem nesta nossa era
"digital", os sinais necessários para reconhecerem o Senhor;
dando-lhes a oportunidade de se educarem para a expectativa e a
esperança, abeirando-se da Palavra de Deus que salva e favorece o
desenvolvimento humano integral. A Palavra poderá assim fazer-se ao
largono meio das numerosas encruzilhadas criadas pelo denso emaranhado
das auto-estradas que sulcam o ciberespaço e afirmar o direito de
cidadania de Deus em todas as épocas, a fim de que, através das novas
formas de comunicação, Ele possa passar pelas ruas das cidades e
deter-se no limiar das casas e dos corações, fazendo ouvir de novo a
sua voz: "Eu estou à porta e chamo. Se alguém ouvir a minha voz e Me
abrir a porta, entrarei em sua casa, cearei com ele e ele comigo" (Ap
3, 20).
Na Mensagem do ano
passado para idêntica ocasião, encorajei os responsáveis pelos
processos de comunicação a promoverem uma cultura que respeite a
dignidade e o valor da pessoa humana. Este é um dos caminhos onde a
Igreja é chamada a exercer uma "diaconia da cultura" no atual
"continente digital". Com o Evangelho nas mãos e no coração, é preciso
reafirmar que é tempo também de continuar a preparar caminhos que
conduzam à Palavra de Deus, não descurando uma atenção particular por
quem se encontra em condição de busca, mas antes procurando mantê-la
desperta como primeiro passo para a evangelização. Efetivamente, uma
pastoral no mundo digital é chamada a ter em conta também aqueles que
não acreditam, caíram no desânimo e cultivam no coração desejos de
absoluto e de verdades não caducas, dado que os novos meios permitem
entrar em contacto com crentes de todas as religiões, com não-crentes
e pessoas de todas as culturas. Do mesmo modo que o profeta Isaías
chegou a imaginar uma casa de oração para todos os povos (cf. Is
56,7), não se poderá porventura prever que a internet possa dar espaço
- como o "pátio dos gentios" do Templo de Jerusalém -também àqueles
para quem Deus é ainda um desconhecido?
O desenvolvimento
das novas tecnologias e, na sua dimensão global, todo o mundo digital
representam um grande recurso, tanto para a humanidade no seu todo
como para o homem na singularidade do seu ser, e um estímulo para o
confronto e o diálogo. Mas aquelas apresentam-se igualmente como uma
grande oportunidade para os crentes. De fato nenhum caminho pode, nem
deve, ser vedado a quem, em nome de Cristo ressuscitado, se empenha em
tornar-se cada vez mais solidário com o homem. Por conseguinte e antes
de mais nada, os novos media oferecem aos presbíteros perspectivas
sempre novas e, pastoralmente, ilimitadas, que os solicitam a
valorizar a dimensão universal da Igreja para uma comunhão ampla e
concreta; a ser no mundo de hoje testemunhas da vida sempre nova,
gerada pela escuta do Evangelho de Jesus, o Filho eterno que veio ao
nosso meio para nos salvar. Mas, é preciso não esquecer que a
fecundidade do ministério sacerdotal deriva primariamente de Cristo
encontrado e escutado na oração, anunciado com a pregação e o
testemunho da vida, conhecido, amado e celebrado nos sacramentos,
sobretudo da Santíssima Eucaristia e da Reconciliação.
A vós, queridos
Sacerdotes, renovo o convite a que aproveiteis com sabedoria as
singulares oportunidades oferecidas pela comunicação moderna. Que o
Senhor vos torne apaixonados anunciadores da Boa Nova na "ágora"
moderna criada pelos meios actuais de comunicação.
Com estes votos,
invoco sobre vós a proteção da Mãe de Deus e do Santo Cura d’Ars e,
com afecto, concedo a cada um a Bênção Apostólica.
Vaticano, 24 de
Janeiro - dia de São Francisco de Sales - de 2010
MENSAGEM DO PAPA
BENTO XVI
PARA O 43º DIA
MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS
«Novas tecnologias,
novas relações. Promover uma cultura de respeito, de diálogo, de
amizade»
[24 de Maio de
2009]
Amados irmãos e
irmãs,
Aproximando-se o
Dia Mundial das Comunicações Sociais, é com alegria que me dirijo a
vós para expor-vos algumas minhas reflexões sobre o tema escolhido
para este ano: Novas tecnologias, novas relações. Promover uma cultura
de respeito, de diálogo, de amizade. Com efeito, as novas tecnologias
digitais estão a provocar mudanças fundamentais nos modelos de
comunicação e nas relações humanas. Estas mudanças são particularmente
evidentes entre os jovens que cresceram em estreito contacto com estas
novas técnicas de comunicação e, conseqüentemente, sentem-se à vontade
num mundo digital que entretanto para nós, adultos que tivemos de
aprender a compreender e apreciar as oportunidades por ele oferecidas
à comunicação, muitas vezes parece estranho. Por isso, na mensagem
deste ano, o meu pensamento dirige-se de modo particular a quem faz
parte da chamada geração digital: com eles quero partilhar algumas
idéias sobre o potencial extraordinário das novas tecnologias, quando
usadas para favorecerem a compreensão e a solidariedade humana. Estas
tecnologias são um verdadeiro dom para a humanidade: por isso devemos
fazer com que as vantagens que oferecem sejam postas ao serviço de
todos os seres humanos e de todas as comunidades, sobretudo de quem
está necessitado e é vulnerável.
A facilidade de
acesso a telemóveis e computadores juntamente com o alcance global e a
omnipresença da internet criou uma multiplicidade de vias através das
quais é possível enviar, instantaneamente, palavras e imagens aos
cantos mais distantes e isolados do mundo: trata-se claramente duma
possibilidade que era impensável para as gerações anteriores. De modo
especial os jovens deram-se conta do enorme potencial que têm os novos
«media» para favorecer a ligação, a comunicação e a compreensão entre
indivíduos e comunidade, e usam-nos para comunicar com os seus amigos,
encontrar novos, criar comunidades e redes, procurar informações e
notícias, partilhar as próprias idéias e opiniões. Desta nova cultura
da comunicação derivam muitos benefícios: as famílias podem permanecer
em contacto apesar de separadas por enormes distâncias, os estudantes
e os investigadores têm um acesso mais fácil e imediato aos
documentos, às fontes e às descobertas científicas e podem por
conseguinte trabalhar em equipa a partir de lugares diversos; além
disso a natureza interativa dos novos «media» facilita formas mais
dinâmicas de aprendizagem e comunicação que contribuem para o
progresso social.
Embora seja motivo
de maravilha a velocidade com que as novas tecnologias evoluíram em
termos de segurança e eficiência, não deveria surpreender-nos a sua
popularidade entre os utentes porque elas respondem ao desejo
fundamental que têm as pessoas de se relacionar umas com as outras.
Este desejo de comunicação e amizade está radicado na nossa própria
natureza de seres humanos, não se podendo compreender adequadamente só
como resposta às inovações tecnológicas. À luz da mensagem bíblica,
aquele deve antes ser lido como reflexo da nossa participação no amor
comunicativo e unificante de Deus, que quer fazer da humanidade
inteira uma única família. Quando sentimos a necessidade de nos
aproximar das outras pessoas, quando queremos conhecê-las melhor e
dar-nos a conhecer, estamos a responder à vocação de Deus - uma
vocação que está gravada na nossa natureza de seres criados à imagem e
semelhança de Deus, o Deus da comunicação e da comunhão.
O desejo de
interligação e o instinto de comunicação, que se revelam tão naturais
na cultura contemporânea, na verdade são apenas manifestações modernas
daquela propensão fundamental e constante que têm os seres humanos
para se ultrapassarem a si mesmos entrando em relação com os outros.
Na realidade, quando nos abrimos aos outros, damos satisfação às
nossas carências mais profundas e tornamo-nos de forma mais plena
humanos. De fato amar é aquilo para que fomos projetados pelo Criador.
Naturalmente não falo de relações passageiras, superficiais; falo do
verdadeiro amor, que constitui o centro da doutrina moral de Jesus:
«Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua
alma, com todo o teu entendimento e com todas as tuas forças» e
«amarás o teu próximo como a ti mesmo» (cf. Mc 12, 30-31). Refletindo,
à luz disto, sobre o significado das novas tecnologias, é importante
considerar não só a sua indubitável capacidade de favorecer o contacto
entre as pessoas, mas também a qualidade dos conteúdos que aquelas são
chamadas a pôr em circulação. Desejo encorajar todas as pessoas de boa
vontade, ativas no mundo emergente da comunicação digital, a que se
empenhem na promoção de uma cultura do respeito, do diálogo, da
amizade.
Assim, aqueles que
operam no sector da produção e difusão de conteúdos dos novos «media»
não podem deixar de sentir-se obrigados ao respeito da dignidade e do
valor da pessoa humana. Se as novas tecnologias devem servir o bem dos
indivíduos e da sociedade, então aqueles que as usam devem evitar a
partilha de palavras e imagens degradantes para o ser humano e,
conseqüentemente, excluir aquilo que alimenta o ódio e a intolerância,
envilece a beleza e a intimidade da sexualidade humana, explora os
débeis e os inermes.
As novas
tecnologias abriram também a estrada para o diálogo entre pessoas de
diferentes países, culturas e religiões. A nova arena digital, o
chamado cyberspace, permite encontrar-se e conhecer os valores e as
tradições alheias. Contudo, tais encontros, para ser fecundos,
requerem formas honestas e corretas de expressão juntamente com uma
escuta atenciosa e respeitadora. O diálogo deve estar radicado numa
busca sincera e recíproca da verdade, para realizar a promoção do
desenvolvimento na compreensão e na tolerância. A vida não é uma mera
sucessão de fatos e experiências: é antes a busca da verdade, do bem e
do belo. É precisamente com tal finalidade que realizamos as nossas
opções, exercitamos a nossa liberdade e nisso - isto é, na verdade, no
bem e no belo - encontramos felicidade e alegria. É preciso não se
deixar enganar por aqueles que andam simplesmente à procura de
consumidores num mercado de possibilidades indiscriminadas, onde a
escolha em si mesma se torna o bem, a novidade se contrabandeia por
beleza, a experiência subjetiva sobrepõem-se à verdade.
O conceito de
amizade logrou um renovado lançamento no vocabulário das redes sociais
digitais que surgiram nos últimos anos. Este conceito é uma das
conquistas mais nobres da cultura humana. Nas nossas amizades e
através delas crescemos e desenvolvemo-nos como seres humanos. Por
isso mesmo, desde sempre a verdadeira amizade foi considerada uma das
maiores riquezas de que pode dispor o ser humano. Por este motivo, é
preciso prestar atenção a não banalizar o conceito e a experiência da
amizade. Seria triste se o nosso desejo de sustentar e desenvolver
on-line as amizades fosse realizado à custa da nossa disponibilidade
para a família, para os vizinhos e para aqueles que encontramos na
realidade do dia a dia, no lugar de trabalho, na escola, nos tempos
livres. De facto, quando o desejo de ligação virtual se torna
obsessivo, a consequência é que a pessoa se isola, interrompendo a
interacção social real. Isto acaba por perturbar também as formas de
repouso, de silêncio e de reflexão necessárias para um são
desenvolvimento humano.
A amizade é um
grande bem humano, mas esvaziar-se-ia do seu valor, se fosse
considerada fim em si mesma. Os amigos devem sustentar-se e
encorajar-se reciprocamente no desenvolvimento dos seus dons e
talentos e na sua colocação ao serviço da comunidade humana. Neste
contexto, é gratificante ver a aparição de novas redes digitais que
procuram promover a solidariedade humana, a paz e a justiça, os
direitos humanos e o respeito pela vida e o bem da criação. Estas
redes podem facilitar formas de cooperação entre povos de diversos
contextos geográficos e culturais, consentindo-lhes de aprofundar a
comum humanidade e o sentido de corresponsabilidade pelo bem de todos.
Todavia devemo-nos preocupar por fazer com que o mundo digital, onde
tais redes podem ser constituídas, seja um mundo verdadeiramente
acessível a todos. Seria um grave dano para o futuro da humanidade, se
os novos instrumentos da comunicação, que permitem partilhar saber e
informações de maneira mais rápida e eficaz, não fossem tornados
acessíveis àqueles que já são econômica e socialmente marginalizados
ou se contribuíssem apenas para incrementar o desnível que separa os
pobres das novas redes que se estão a desenvolver ao serviço da
informação e da socialização humana.
Quero concluir esta
mensagem dirigindo-me especialmente aos jovens católicos, para os
exortar a levarem para o mundo digital o testemunho da sua fé.
Caríssimos, senti-vos comprometidos a introduzir na cultura deste novo
ambiente comunicador e informativo os valores sobre os quais assenta a
vossa vida. Nos primeiros tempos da Igreja, os Apóstolos e os seus
discípulos levaram a Boa Nova de Jesus ao mundo greco-romano: como
então a evangelização, para ser frutuosa, requereu uma atenta
compreensão da cultura e dos costumes daqueles povos pagãos com o
intuito de tocar as suas mentes e corações, assim agora o anúncio de
Cristo no mundo das novas tecnologias supõe um conhecimento profundo
das mesmas para se chegar a uma sua conveniente utilização. A vós,
jovens, que vos encontrais quase espontaneamente em sintonia com estes
novos meios de comunicação, compete de modo particular a tarefa da
evangelização deste «continente digital». Sabei assumir com entusiasmo
o anúncio do Evangelho aos vossos coetâneos! Conheceis os seus medos e
as suas esperanças, os seus entusiasmos e as suas desilusões: o dom
mais precioso que lhes podeis oferecer é partilhar com eles a «boa
nova» de um Deus que Se fez homem, sofreu, morreu e ressuscitou para
salvar a humanidade. O coração humano anseia por um mundo onde reine o
amor, onde os dons sejam compartilhados, onde se construa a unidade,
onde a liberdade encontre o seu significado na verdade e onde a
identidade de cada um se realize numa respeitosa comunhão. A estas
expectativas pode dar resposta a fé: sede os seus arautos! Sabei que o
Papa vos acompanha com a sua oração e a sua bênção.
Vaticano, 24 de
Janeiro - dia de São Francisco de Sales - de 2009.
BENEDICTUS PP. XVI
MENSAGEM DO PAPA
BENTO XVI
PARA O 42º DIA
MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS
«Os meios de
comunicação social: na encruzilhada entre protagonismo e serviço.
Buscar a verdade
para partilhá-la»
[Domingo, 4 de Maio
de 2008]
Queridos irmãos e
irmãs!
1. O tema da
próxima Jornada Mundial das Comunicações Sociais – «Os meios de
comunicação social: na encruzilhada entre protagonismo e serviço.
Buscar a verdade para partilhá-la» – coloca em relevo como é
importante o papel destes instrumentos na vida das pessoas e da
sociedade. De fato, não existe âmbito da experiência humana, sobretudo
se enquadrada no vasto fenômeno da globalização, onde os media não se
tenham tornado parte constitutiva das relações interpessoais e dos
processos sociais, econômicos, políticos e religiosos. A tal
propósito, escrevi na Mensagem para a Jornada da Paz do passado dia 1
de Janeiro: «Os meios de comunicação social, pelas potencialidades
educativas de que dispõem, têm uma responsabilidade especial de
promover o respeito pela família, de ilustrar as suas expectativas e
os seus direitos, de pôr em evidência a sua beleza» (n. 5).
2. Graças a uma
vertiginosa evolução tecnológica, os referidos meios foram adquirindo
potencialidades extraordinárias, ao mesmo tempo que levantavam novas e
inéditas interrogações e problemas. É inegável a contribuição que
podem dar para a circulação das notícias, o conhecimento dos fatos e a
difusão do saber: por exemplo, contribuíram de modo decisivo para a
alfabetização e a socialização, como também para o avanço da
democracia e do diálogo entre os povos. Sem a sua contribuição, seria
verdadeiramente difícil favorecer e melhorar a compreensão entre as
nações, conferir respiro universal aos diálogos de paz, garantir ao
homem o bem primário da informação, assegurando ao mesmo tempo a livre
circulação de intentos a bem nomeadamente dos ideais de solidariedade
e justiça social. Sim! Os media, no seu conjunto, não servem apenas
para a difusão das idéias, mas podem e devem ser também instrumentos
ao serviço de um mundo mais justo e solidário. Infelizmente, é bem
real o risco de, pelo contrário, se transformarem em sistemas que
visam submeter o homem a lógicas ditadas pelos interesses
predominantes de momento. É o caso de uma comunicação usada para fins
ideológicos ou para a venda de produtos de consumo mediante uma
publicidade obsessiva. Com o pretexto de se apresentar a realidade, de
fato tende-se a legitimar e a impor modelos errados de vida pessoal,
familiar ou social. Além disso, para atrair os ouvintes, a chamada
quota de audiências, por vezes não se hesita em recorrer à
transgressão, à vulgaridade e à violência. Existe enfim a
possibilidade de serem propostos e defendidos, através dos media,
modelos de desenvolvimento que, em vez de reduzir, aumentam o desnível
tecnológico entre países ricos e pobres.
3. A humanidade
encontra-se hoje numa encruzilhada. Vale também para os media aquilo
que escrevi, na Encíclica Spe salvi, sobre a ambigüidade do progresso,
que oferece inéditas potencialidades para o bem, mas ao mesmo tempo
abre possibilidades abissais de mal que antes não existiam (cf. n.
22). Por isso, há que interrogar-se se é sensato deixar que os
instrumentos de comunicação social se ponham ao serviço de um
protagonismo indiscriminado ou acabem em poder de quem se serve deles
para manipular as consciências. Não se deveria, antes, fazer com que
permaneçam ao serviço da pessoa e do bem comum e favoreçam «a formação
ética do homem, o crescimento do homem interior» (Spe salvi, 22)? A
sua influência extraordinária na vida das pessoas e da sociedade é um
fato amplamente reconhecido, mas hoje há que pôr em evidência a
viragem, diria mesmo a mudança verdadeira e própria de função, que os
media estão a enfrentar. Hoje, de modo sempre mais acentuado, a
comunicação parece às vezes ter a pretensão não só de apresentar a
realidade, mas também de a determinar graças à capacidade e força de
sugestão que possui. Constata-se, por exemplo, que em certos casos os
media são utilizados, não para um correto serviço de informação, mas
para «criar» os próprios acontecimentos. Esta perigosa alteração da
sua função é vista com preocupação por muitos Pastores. Exatamente
porque se trata de realidades que incidem profundamente em todas as
dimensões da vida humana (moral, intelectual, religiosa, relacional,
afetiva, cultural), estando em jogo o bem da pessoa, impõe-se
reafirmar que nem tudo aquilo que for tecnicamente possível é
eticamente praticável. Por isso, o impacto dos meios de comunicação
sobre a vida do homem contemporâneo coloca questões inevitáveis, que
aguardam decisões e respostas não mais adiáveis.
4. O papel que os
instrumentos de comunicação assumiram na sociedade é já considerado
parte integrante da questão antropológica, que surge como desafio
crucial do terceiro milênio. De modo semelhante ao que se verifica no
sector da vida humana, do matrimônio e da família e no âmbito das
grandes questões contemporâneas relativas à paz, à justiça e à defesa
da criação, também no sector das comunicações sociais estão em jogo
dimensões constitutivas do homem e da sua verdade. Quando a
comunicação perde as amarras éticas e se esquiva ao controle social,
acaba por deixar de ter em conta a centralidade e a dignidade
inviolável do homem, arriscando-se a influir negativamente sobre a sua
consciência, sobre as suas decisões, e a condicionar em última análise
a liberdade e a própria vida das pessoas. Por este motivo é
indispensável que as comunicações sociais defendam ciosamente a pessoa
e respeitem plenamente a sua dignidade. São muitos a pensar que, neste
âmbito, seja atualmente necessária uma «info-ética» tal como existe a
bio-ética no campo da medicina e da pesquisa científica relacionada
com a vida.
5. É preciso evitar
que os media se tornem o megafone do materialismo econômico e do
relativismo ético, verdadeiras pragas do nosso tempo. Pelo contrário,
eles podem e devem contribuir para dar a conhecer a verdade sobre o
homem, defendendo-a face àqueles que tendem a negá-la ou a destruí-la.
Pode-se mesmo afirmar que a busca e a apresentação da verdade sobre o
homem constituem a vocação mais sublime da comunicação social. Usar
para tal fim as linguagens todas e cada vez mais belas e primorosas de
que dispõem os media é uma tarefa grandiosa, confiada em primeiro
lugar aos responsáveis e operadores do sector. Mas tal tarefa, de
algum modo, diz respeito a todos nós, porque todos, nesta época da
globalização, somos utentes e operadores de comunicações sociais. Os
novos media, sobretudo telefonia e internet, estão a modificar a
própria fisionomia da comunicação, e talvez esta seja uma ocasião
preciosa para a redesenhar, ou seja, para tornar mais visíveis, como
disse o meu venerado predecessor João Paulo II, os traços essenciais e
irrenunciáveis da verdade sobre a pessoa humana (cf. Carta apostólica
O rápido desenvolvimento, 10).
6. O homem tem sede
de verdade, anda à procura da verdade; demonstram-no nomeadamente a
atenção e o sucesso registrados por muitas publicações, programas ou
filmes de qualidade, onde são reconhecidas e bem apresentadas a
verdade, a beleza e a grandeza da pessoa, incluindo a sua dimensão
religiosa. Jesus disse: «Conhecereis a verdade e a verdade vos
libertará» (Jo 8, 32). A verdade que nos torna livres é Cristo, porque
só Ele pode corresponder plenamente à sede de vida e de amor que está
no coração do homem. Quem O encontrou e se apaixona pela sua mensagem,
experimenta o desejo irreprimível de partilhar e comunicar esta
verdade: «O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com
os nossos olhos – escreve São João –, o que contemplamos, o que
tocamos com as nossas mãos acerca do Verbo da Vida, é o que nós vos
anunciamos […], para que estejais também em comunhão conosco. E a
nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo. Escrevemos
tudo isto, para que a vossa alegria seja completa» (1 Jo 1, 1-3).
Invocamos o
Espírito Santo para que não faltem comunicadores corajosos e
testemunhas autênticas da verdade que, fiéis ao mandato de Cristo e
apaixonados pela mensagem da fé, «saibam tornar-se intérpretes das
exigências culturais contemporâneas, comprometendo-se a viver esta
época da comunicação, não como um tempo de alienação e de confusão,
mas como um período precioso para a investigação da verdade e para o
desenvolvimento da comunhão entre as pessoas e entre os povos» (João
Paulo II, Discurso no Congresso Parábolas mediáticas, 9 de Novembro de
2002).
Com estes votos,
afetuosamente concedo a todos a minha Bênção.
Vaticano, 24 de
Janeiro – festa de São Francisco de Sales – de 2008.
BENEDICTUS PP. XVI
MENSAGEM DO PAPA
BENTO XVI
PARA O 41º DIA
MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS
"As crianças e os
meios de comunicação social: um desafio para a educação"
[Domingo, 20 de
Maio de 2007]
Queridos Irmãos e
Irmãs
1. O tema do 41º
Dia Mundial das Comunicações Sociais, «As crianças e os meios de
comunicação social: um desafio para a educação», convida-nos a
refletir sobre dois assuntos de imensa importância. A formação das
crianças é o primeiro. O segundo, talvez menos óbvio mas não menos
importante, é a formação dos meios de comunicação social.
Os complexos
desafios que se apresentam para a educação nos dias de hoje estão
freqüentemente vinculados à ampla influência dos meios de comunicação
social no nosso mundo. Como um dos aspectos do fenômeno da
globalização, e facilitados pelo rápido desenvolvimento da tecnologia,
os meios de comunicação social modelam profundamente o ambiente
cultural (cf. Papa João Paulo II, Carta Apostólica O rápido
desenvolvimento, 3). Com efeito, algumas pessoas afirmam que a
influência formativa dos meios de comunicação social concorre com a da
escola, da Igreja e talvez mesmo do lar. «Para muitas pessoas, a
realidade corresponde ao que os mass media definem como tal»
(Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, Aetatis novae, 4).
2. A relação entre
crianças, meios de comunicação social e educação pode ser considerada
a partir de duas perspectivas: a formação das crianças por parte dos
mass media; e a formação das crianças para que respondam
apropriadamente aos mass media. Sobressai um tipo de reciprocidade que
indica as responsabilidades dos meios de comunicação social como
indústria e a necessidade de uma participação activa e crítica dos
leitores, dos espectadores e dos ouvintes. Nesta perspectiva,
formar-se no uso apropriado dos meios de comunicação social é
essencial para o desenvolvimento cultural, moral e espiritual das
crianças.
Como é que se há-de
salvaguardar e promover o bem comum? Educar as crianças a serem
judiciosas no uso dos mass media é uma responsabilidade que cabe aos
pais, à Igreja e à escola. O papel dos pais é de importância
primordial. Eles têm o direito e o dever de assegurar o uso prudente
dos meios de comunicação social, formando a consciência dos seus
filhos a fim de que expressem juízos sadios e objectivos, que
sucessivamente há-de de orientá-los na escolha ou rejeição dos
programas disponíveis (cf. Papa João Paulo II, Exortação Apostólica
Familiaris consortio, 76). Ao agir deste modo, os pais deveriam contar
com o encorajamento e a assistência das escolas e das paróquias, para
garantir que este aspecto difícil mas estimulante da educação é
apoiado pela comunidade mais vasta.
A educação aos mass
media deveria ser positiva. As crianças expostas ao que é estética e
moralmente excelente são ajudadas a desenvolver o apreço, a prudência
e as capacidades de discernimento. Aqui é importante reconhecer o
valor fundamental do exemplo dos pais e os benefícios da apresentação
aos jovens dos clássicos infantis da literatura, das belas-artes e da
música edificante. Enquanto a literatura popular terá sempre o seu
espaço na cultura, a tentação do sensacionalismo não deveria ser
passivamente aceite nos lugares de ensino. A beleza, uma espécie de
espelho do divino, inspira e vivifica os corações e as mentes mais
jovens, ao passo que a torpeza e a vulgaridade têm um impacto
depressivo sobre as atitudes e os comportamentos.
Como a educação em
geral, a educação aos mass media exige a formação no exercício da
liberdade. Trata-se de uma tarefa exigente. Muitas vezes a liberdade é
apresentada como uma busca implacável do prazer e de novas
experiências. Contudo, isto é uma condenação, não uma libertação! A
verdadeira liberdade jamais poderia condenar o indivíduo -
especialmente a criança - a uma busca insaciável de novidades. À luz
da verdade, a liberdade autêntica é experimentada como uma resposta
definitiva ao «sim» de Deus à humanidade, enquanto nos chama a
escolher, não indiscriminada mas deliberadamente, tudo o que é bom,
verdadeiro e belo. Assim os pais, como guardiões de tal liberdade,
concederão gradualmente uma maior liberdade aos seus filhos,
introduzindo-os ao mesmo na profunda alegria da vida (cf. Discurso no
V Encontro Mundial das Famílias, Valência, 8 de Julho de 2006).
3. Esta aspiração
sincera dos pais e professores de educar as crianças pelos caminhos da
beleza, da verdade e da bondade somente pode ser sustentada pela
indústria dos meios de comunicação social, na medida em que ela
promover a dignidade humana fundamental, o valor genuíno do matrimônio
e da vida familiar, e as conquistas e as finalidades positivas da
humanidade. Deste modo, a necessidade que os mass media têm de se
comprometerem na formação efetiva e nos padrões éticos é considerada
com particular interesse e mesmo urgência, não só pelos pais e
professores, mas também por todos aqueles que têm um sentido de
responsabilidade cívica.
Mesmo quando
estamos convencidos de que muitas pessoas comprometidas nos meios de
comunicação social desejam realizar o que é justo (cf. Pontifício
Conselho para as Comunicações Sociais, Ética nas Comunicações, 4),
devemos reconhecer também que as que trabalham neste campo enfrentam
«pressões psicológicas e dilemas éticos particulares» (Aetatis novae,
19), que por vezes vêem a concorrência comercial impelir os
comunicadores para níveis mais baixos. Qualquer tendência a realizar
programas e produtos - inclusive desenhos animados e videojogos - que,
em nome do entretenimento, exalta a violência e apresenta
comportamentos anti-sociais ou a banalização da sexualidade humana
constitui uma perversão, e é ainda mais repugnante quando tais
programas são destinados às crianças e aos adolescentes. Como é que se
poderia explicar este «entretenimento» aos numerosos jovens inocentes
que realmente são vítimas da violência, da exploração e do abuso? A
este propósito, todos deveriam reflectir sobre o contraste entre
Cristo, que «as tomou [as crianças] nos braços e as abençoou,
impondo-lhes as mãos» (Mc 10, 16) e aquele que «escandaliza... estes
pequeninos», a quem «seria melhor... que lhe atassem ao pescoço uma
pedra de moinho» (Lc 17, 2). Uma vez mais, exorto os responsáveis da
indústria dos meios de comunicação social a salvaguardarem o bem
comum, a promoverem a verdade, a protegerem a dignidade humana de cada
indivíduo e a fomentarem o respeito pelas necessidades da família.
4. A própria
Igreja, à luz da mensagem de salvação que lhe foi confiada, é também
uma mestra de humanidade e valoriza a oportunidade de oferecer
assistência aos pais, aos educadores, aos comunicadores e aos jovens.
Os seus programas paroquiais e escolares deveriam ocupar um lugar de
vanguarda na educação aos mass media nos dias de hoje. Sobretudo, a
Igreja deseja compartilhar uma visão da dignidade humana que é central
para toda a comunicação humana digna. «Eu vejo com os olhos de Cristo
e posso dar ao outro muito mais do que as coisas externamente
necessárias: posso dar-lhe o olhar de amor de que ele precisa» (Deus
caritas est, 18).
Desde o Vaticano,
24 de Janeiro de 2007, festa de São Francisco de Sales.
BENEDICTUS PP. XVI
MENSAGEM DO PAPA
BENTO XVI
PARA O 40º DIA
MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS
A mídia: rede de
comunicação, comunhão e cooperação.
[Domingo, 28 de
Maio de 2006]
Amados Irmãos e
Irmãs
1. Em continuidade
com o quadragésimo aniversário da conclusão do Concílio
EcumênicoVaticano II, desejo recordar o Decreto sobre os Meios de
Comunicação Social, Inter mirifica, que reconheceu aos mass media o
poder de influenciar toda a sociedade humana. A necessidade de
usufruir do melhor modo possível de tais potencialidades, em benefício
da humanidade inteira, estimulou-me, nesta minha primeira mensagem
para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, a reflectir acerca do
conceito de que a mídia se pode configurar como uma rede capaz de
facilitar a comunicação, a comunhão e a cooperação.
São Paulo, na sua
carta aos Efésios, descreve detalhadamente a nossa vocação humana para
«participar na natureza divina» (Dei Verbum, 21): através de Cristo
podemos apresentar-nos ao Pai num só Espírito; assim já não somos
estrangeiros nem hóspedes, mas concidadãos dos santos e familiares de
Deus, tornando-nos templo santo e habitação de Deus (cf. Ef 2, 18-22).
Este retrato sublime de uma vida de comunhão engloba todos os aspectos
da nossa existência como cristãos. A chamada a ser fiéis à comunicação
de Deus em Cristo é uma chamada a reconhecer a Sua força dinâmica
dentro de nós, que depois se alarga aos outros, para que este amor se
torne realmente a medida dominante do mundo (cf. Homilia para a
Jornada Mundial da Juventude, Colônia, 21 de Agosto de 2005).
2. Em certos
aspectos, os progressos tecnológicos dos meios de comunicação venceram
o tempo e o espaço, permitindo a comunicação imediata e direta também
entre pessoas divididas por enormes distâncias. Este desenvolvimento
exige uma grande oportunidade para servir o bem comum e «constitui um
patrimônio que deve ser salvaguardado e promovido» (O rápido
desenvolvimento, 10). Mas como bem sabemos, o nosso mundo está longe
de ser perfeito e verificamos quotidianamente que a rapidez da
comunicação nem sempre consegue criar um espírito de colaboração e de
comunhão no âmbito da sociedade.
Iluminar as
consciências dos indivíduos e ajudá-los a desenvolver o próprio
pensamento não é uma tarefa fácil. A comunicação autêntica deve
basear-se na coragem e na decisão. Quantos trabalham na mídia devem
estar determinados a não se deixarem subjugar pela grande quantidade
de informações e não devem contentar-se com verdades parciais ou
transitórias. De fato, é preciso procurar difundir as verdades
fundamentais e o significado profundo da existência humana, pessoal e
social (cf. Fides et ratio, 5). Desta forma os meios de comunicação
podem contribuir construtivamente para a difusão de tudo o que é bom e
verdadeiro.
3. Hoje o apelo que
se faz à mídia é que seja responsável, para se tornar protagonista da
verdade e promotora da paz que dela deriva, mesmo se isto comporta
grandes desafios. Os diversos instrumentos da comunicação social
facilitam o intercâmbio de informações e de idéias, contribuindo para
a compreensão recíproca entre os diversos grupos, mas ao mesmo tempo
podem ser contaminados pela ambigüidade. Os meios de comunicação
social são uma «grande mesa redonda» para o diálogo da humanidade, mas
algumas atitudes no seu interior podem gerar uma monocultura que
ofusca o gênio criativo, reduz a subtileza de um pensamento complexo e
desvaloriza as peculiaridades das práticas culturais e a
individualidade do credo religioso. Estas degenerações verificam-se
quando a indústria da mídia se torna fim em si mesma, tendo unicamente
por finalidade o lucro, perdendo de vista o sentido de
responsabilidade no serviço ao bem comum.
Por conseguinte, é
necessário garantir uma cuidadosa crónica dos acontecimentos, uma
explicação satisfatória dos assuntos de interesse público, uma
apresentação honesta dos diversos pontos de vista. A necessidade de
defender e encorajar o matrimónio e a vida da família é
particularmente importante, sobretudo porque se faz referência ao
fundamento de todas as culturas e sociedades (cf. Apostolicam
actuositatem, 11). Em colaboração com os pais, os meios de comunicação
social e as indústrias do espectáculo podem servir de apoio na difícil
mas nobre e satisfatória vocação de educar as crianças, apresentando
modelos edificantes de vida humana e de amor (cf. Inter mirifica, 11).
Quando se verifica o contrário, todos nós nos sentimos desencorajados
e aviltados. O nosso coração sofre sobretudo quando os nossos jovens
são subjugados por expressões de amor degradantes ou falsas, que
ridicularizam a dignidade doada por Deus a cada pessoa humana e
ameaçam os interesses da família.
4. Para encorajar
uma presença construtiva e concreta dos mass media na sociedade,
desejo realçar a importância de três aspectos, indicados pelo meu
venerado predecessor, o Papa João Paulo II, indispensáveis para um
serviço destinado ao bem comum: formação, participação e diálogo (cf.
O rápido desenvolvimento, 11).
A formação para um
uso responsável e crítico da mídia ajuda a pessoa a servir-se dela de
modo inteligente e apropriado. O impacto incisivo de um novo
vocabulário e de novas imagens, que sobretudo os mass media
eletrônicos introduzem tão facilmente na sociedade, não devem ser
subestimados. A mídia contemporânea forma a cultura popular, portanto
deve vencer qualquer tentação de manipulação, sobretudo em relação aos
jovens, procurando ao contrário educar e servir, para garantir a
realização de uma sociedade civil digna da pessoa humana, e não a sua
desagregação.
A participação na
mídia nasce da sua própria natureza, como bem destinado a todos os
povos. Como serviço público, a comunicação social exige um espírito de
cooperação e co-responsabilidade, exige um uso dos recursos públicos
sábio como nunca e um sério compromisso da parte de quantos
desempenham papéis de responsabilidade pública (cf. Ética nas
Comunicações Sociais, 20), recorrendo também a normas de regulação e a
outras providências ou estruturas designadas para tal finalidade.
Por fim, a promoção
do diálogo através do intercâmbio de cultura, a expressão de
solidariedade e a adesão à paz oferecem uma grande oportunidade à
mídia que necessita ser revalorizada e usada. Desta forma, ela
torna-se recurso importante e precioso para construir uma civilização
de amor, que é o desejo de todos os povos.
Tenho a certeza de
que sérios esforços para promover estes três aspectos desenvolverão
nos mass media a sua vocação de redes de comunicação, de comunhão e de
cooperação, ajudando homens, mulheres e crianças a tornarem-se mais
conscientes da dignidade da pessoa humana, mais responsáveis e mais
abertos aos outros, sobretudo aos membros da sociedade mais
necessitados e mais débeis (cf. Redemptor hominis, 15; Ética nas
Comunicações Sociais, 4).
Para concluir,
desejo recordar as encorajadoras palavras de São Paulo: Cristo é a
nossa paz. Aquele que de dois fez um só povo (cf. Ef 2, 14).
Derrubemos o muro de hostilidades que nos divide e construamos a
comunhão de amor, segundo os projetos do Criador, revelados através do
Seu Filho!
Vaticano, 24 de
Janeiro de 2006, Solenidade de São Francisco de Sales.
BENEDICTUS PP. XVI
MENSAGEM DO PAPA
JOÃO PAULO II
PARA O 28º DIA
MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS 1994
«Televisão e
família: critérios para saber ver»
Caros irmãos e
irmãs!
Nos últimos
decênios, a televisão revolucionou as comunicações, influenciando
profundamente a vida familiar. Hoje, a televisão é uma fonte primária
de notícias, de informações e de distração para inumeráveis famílias,
a ponto de modelar as suas atitudes e as suas opiniões, os seus
valores e os protótipos de comportamento.
A televisão pode
enriquecer a vida familiar. Pode unir entre si, mais estreitamente, os
membros da família, e promover a sua solidariedade para com outras
famílias e para com a mais vasta comunidade humana; pode fazer crescer
neles não só a cultura geral, mas também a religiosa, permitindo que
escutem a Palavra de Deus, reforcem a própria identidade religiosa e
nutram a própria vida moral e espiritual.
A televisão pode,
também, prejudicar a vida familiar; difundindo valores e modelos de
comportamento falseados ou degradantes, divulgando pornografia e
imagens de violência brutal; inculcando o relativismo moral e o
ceticismo religioso; espalhando notícias distorcidas ou informações
manipuladas sobre fatos e problemas da atualidade; transmitindo
publicidade exploratória ligada aos mais baixos instintos; exaltando
falsas visões da vida que impedem a atuação do respeito mútuo, da
justiça e da paz.
A televisão pode
ainda ter efeitos negativos sobre a família mesmo quando os programas
não são, de per si, moralmente criticáveis: ela pode induzir os
membros da família a se isolarem no seu mundo privado, tirando-a dos
autênticos relacionamentos interpessoais, e também dividir a família,
afastando os pais dos filhos e os filhos dos pais.
Uma vez que a
renovação moral e espiritual da família humana na sua plenitude deve
fundar-se na autêntica renovação de cada família, o tema do Dia
Mundial das Comunicações Sociais de 1994 — "Televisão e família:
critérios para saber ver" — é particularmente apropriado, sobretudo
neste Ano Internacional da Família, durante o qual a comunidade
mundial está buscando como dar novo vigor à vida familiar.
Nesta mensagem,
desejo especialmente ressaltar as responsabilidades dos pais, dos
homens e mulheres da indústria televisiva, as responsabilidades das
autoridades públicas e dos que cumprem os seus deveres pastorais e
educativos na Igreja. Está em suas mãos o poder de fazer da televisão
um meio sempre mais eficaz para ajudar as famílias a desempenhar o
próprio papel, que é o de formar uma força de renovação moral e
social.
Deus investiu os
pais da grave responsabilidade de ajudar os filhos a "buscar a verdade
e a viver em conformidade com ela, a buscar o bem e a
promovê-lo".(Mensagem para celebração do Dia da Paz, 1991, n. 3) Os
pais têm ainda o dever de levar os filhos a apreciar "tudo o que é
verdadeiro, digno de respeito ou justo, puro, amável ou honroso" (Fl
4,8).
Portanto, além de
ser espectadores que podem discernir por si só, os pais deveriam
contribuir ativamente para formar nos próprios filhos, ao assistir a
televisão, hábitos que levem a um sadio desenvolvimento humano, moral,
religioso. Os pais deveriam, com antecedência, informar os próprios
filhos sobre o conteúdo dos programas e fazer, conseqüentemente, a
escolha consciente para o bem da família, sobre o que ver ou o que não
ver. Neste sentido, podem ajudar as recensões e os juízos fornecidos
por organismos religiosos e por outros grupos responsáveis, como
também programas educativos propostos pelos meios de comunicação
social. Os pais deveriam também discutir sobre a televisão com os
próprios filhos, fazendo com que tenham condição de controlar a
quantidade e a qualidade dos programas que assistem e de perceber e
julgar os valores éticos que estão na base de certos programas, uma
vez que a família é "o veículo privilegiado para a transmissão dos
valores religiosos e culturais que ajudam a pessoa a conquistar a
própria identidade" (Mensagem para celebração do Dia da Paz, 1994, n.
2).
Formar os hábitos
dos filhos pode, por vezes, querer simplesmente significar apagar o
televisor, porque há coisas melhores a se fazer, ou porque a
consideração para com os outros membros da família o exige, ou porque
a assistência indiscriminada da televisão pode ser prejudicial. Os
pais que usam habitualmente e por tempo prolongado a televisão como
uma espécie de babá eletrônica, abdicam do seu papel de primeiros
educadores dos próprios filhos. Esta dependência da televisão pode
privar os membros da família da oportunidade de interagir mutuamente
através da conversa, das atividades e da oração comuns. Os pais sábios
são, além disso, conscientes de que também os bons programas devem ser
completados por outras fontes de informação, entretenimento, educação
e cultura.
Para garantir que a
indústria da televisão respeite os direitos da família, os pais
deveriam expressar suas legítimas preocupações aos produtores e aos
responsáveis pelos meios de comunicação social. Às vezes será útil
unir-se a outros, formando associações que representem os seus
interesses, em relação aos meios de comunicação, aos financiadores,
aos patrocinadores e às autoridades públicas.
Os que trabalham
para a televisão — "managers" e funcionários, produtores e diretores,
autores e pesquisadores, jornalistas, personagens do elenco e técnicos
—, todos têm graves responsabilidades morais para com as famílias, que
são a grande parte do seu público. Na sua vida profissional e pessoal,
os que trabalham no setor televisivo deveriam colocar todo empenho nos
relacionamentos com a família, considerada como fundamental comunidade
social de vida, de amor e solidariedade. Reconhecendo a capacidade de
persuasão da estrutura junto A. qual trabalham, deveriam fazer-se
promotores de autênticos valores espirituais e morais, e evitar "tudo
o que pode ofender a família em sua existência, em sua estabilidade,
em seu equilíbrio e em sua felicidade [...] quer se trate de erotismo
ou de violência, de apologia do divórcio ou de atitudes anti-sociais
dos jovens" (Paulo VI, Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações
Sociais, 1969, n. 2
A televisão tem,
freqüentemente, a oportunidade de tratar de assuntos sérios: a
fraqueza humana e o pecado, e as suas conseqüências para os indivíduos
e a sociedade; as fraquezas das instituições sociais, inclusive os
governos e a religião; as interrogações fundamentais sobre o
significado da vida. A televisão deveria tratar estes temas de forma
responsável, sem sensacionalismos, com uma preocupação sincera pelo
bem da sociedade e um respeito escrupuloso pela verdade. "A verdade
vos tornará livres" (Jo 8,32), disse Jesus; e toda verdade tem o seu
fundamento em Deus, que é também a fonte da nossa liberdade e da nossa
capacidade criativa.
No desempenho das
próprias responsabilidades, a indústria da televisão deveria
desenvolver e observar um código de ética que incluísse o empenho de
satisfazer as necessidades das famílias e de promover valores para
sustento da vida familiar. Os conselhos também, formados por membros
da indústria da televisão e por representantes dos usuários dos meios
de comunicação de massa, são um modo desejável de tornar a televisão
mais sensível às necessidades e aos valores dos usuários. Os canais de
televisão, geridos pela indústria da televisão pública ou privada, são
um instrumento público a serviço do bem comum; não são somente um
terreno marcado por interesses comerciais ou um instrumento de poder
ou de propaganda para determinados grupos sociais, econômicos ou
políticos; existem para servir ao bem-estar de toda a sociedade.
A família, como
célula fundamental da sociedade, merece, portanto, ser assistida e
defendida com medidas apropriadas por parte do Estado e das outras
instituições (Mensagem para celebração do Dia da Paz, 1994, n. 5).
Isto ressalta a responsabilidade que cabe às autoridades públicas
quanto à televisão.
Reconhecendo a
importância de um livre intercâmbio de idéias e de informações, a
Igreja sustenta a liberdade de expressão e de imprensa (cf. Gaudium et
spes, n. 59). Ao mesmo tempo, insiste no fato que "deve ser respeitado
o direito de cada um, das famílias e da sociedade, à privacidade, à
decência pública e à proteção dos valores fundamentais da vida"
(Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais, Pornografia e
violência nos meios de comunicação: uma resposta pastoral, n. 21.) As
autoridades públicas são convidadas a fixar e a fazer respeitar
modelos éticos razoáveis para a programação, que promovam os valores
humanos e religiosos sobre os quais se baseia a vida familiar e que
façam desprestigiar tudo o que é prejudicial; as autoridades deveriam,
além disso, promover o diálogo entre a indústria da televisão e o
público, fornecendo estruturas e ocasiões para que isso possa
acontecer.
Os organismos
religiosos, por sua vez, podem prestar um serviço excelente às
famílias instruindo-as sobre os meios de comunicação social e
oferecendo-lhes opiniões sobre filmes e programas. As organizações
eclesiais de comunicação social podem também ajudar as famílias, onde
houver recursos disponíveis, produzindo e transmitindo programas para
a família ou promovendo este tipo de programação. As Conferências
Episcopais e as dioceses deveriam inserir forçosamente no seu programa
pastoral para as comunicações sociais a "dimensão familiar" da
televisão (Aetatis novae, nn. 21 e 23).
Trabalhando para
apresentar uma visão da vida para um vasto público que compreende
crianças e adolescentes, os profissionais da televisão têm a
possibilidade de valer-se do ministério pastoral da Igreja, que pode
ajudá-los a valorizar os princípios éticos e religiosos, e conferir um
significado pleno à vida humana e familiar: "Programas pastorais que
respondam exatamente às condições particulares de trabalho e aos
desafios éticos, com os quais se defrontam os profissionais da
comunicação. Com efeito, estes programas pastorais deveriam comportar
uma formação permanente, que possa ajudar estes homens e estas
mulheres — muitos dos quais desejam sinceramente saber e praticar o
que é justo no campo ético e moral — a estarem cada vez mais
impregnados de critérios morais, tanto no setor profissional como na
vida privada" (ibidem, n. 19).
A família, baseada
no matrimônio, é uma comunhão única de pessoas, constituída por Deus
como "núcleo natural e fundamental da sociedade" (Declaração Universal
dos Direitos do Homem, art. 16, 3). A televisão e os outros meios de
comunicação social têm um poder imenso para sustentar e reforçar esta
comunhão no interior da família, a solidariedade para com outras
famílias e o espírito de serviço para com a sociedade.
A Igreja — que é
comunhão na verdade e no amor de Jesus Cristo, Palavra de Deus —,
agradecida pela contribuição que a televisão, como meio de
comunicação, tem dado e pode dar a esta comunhão no interior da
família e entre as famílias, aproveita a oportunidade do Dia Mundial
das Comunicações Sociais para encorajar as mesmas famílias, os que
trabalham nos meios de comunicação social e as autoridades públicas a
realizar plenamente o nobre mandato de sustentar e reforçar a primeira
e mais vital "célula" da sociedade, a família.
Cidade do Vaticano, 24 de Janeiro de 1994.
PAPA JOÃO PAULO II |
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ESPIRITUALIDADE NO TRABALHO
O Homem deve imitar
Deus quando trabalha, assim como quando repousa. O homem, mediante seu
trabalho, participa na obra do Criador e, em certo sentido, continua
desenvolve-la e a completá-la. João Paulo II, em Laborem Exercens.
O trabalho é "um
bem do homem", porque através dele "o homem não só transforma a
natureza adaptando-a às próprias necessidades, mas realiza-se a si
mesmo como homem e, num certo sentido, torna-se mais homem". Bento XVI
em Munique, dia 14 de setembro de 2006.
Quando ouvirdes
falar de guerras e subversões, não vos atemorizeis – Lucas 21,9
É pela perseverança
que mantereis vossas vidas – Lucas 21,19.
É de perseverança
que tendes necessidade, para cumprir a vontade de Deus e alcançar o
que ele prometeu. Paulo aos Hebreus 10,36
E se esperamos o
que não vemos, é na perseverança que o aguardamos. Paulão aos Romanos
8,25
Deus é fiel, não
permitirá que sejais tentados acima das vossas forças. Mas, com a
tentação, ele vos dará os meios de sair delas e a força para a
suportar. Paulo aos Corintios 10,13
A espiritualidade
no trabalho é uma maneira de colocar a fé em obras.
-
Se
alguém disser que tem fé, mas não tem obras, que lhe aproveitará isso?
– Thiago 2,14
Paulo, em carta aos
Romanos 2,6 acrescenta:
-
Deus
retribuirá a cada um segundo suas obras.
A mobilização é
necessária para se aprofundar as convicções de fé, suscitar a
conversão do coração e fortificar a vontade de seguir a Cristo.
-
Deus
coopera em tudo para o bem daqueles que o amam, daqueles que são
chamados segundo seu desígnio. Paulo aos Romanos 8,28
Em João 6,28, são
questionadas as formas para trabalhar nas obras de Deus. A obra de
Deus é que acrediteis naquele que enviou.
-
Eu,
porém, tenho um testemunho maior que o de João: são as obras que o Pai
me encarregou de realizar – João 5,36
Mateus 22,21
-
Devolvei o que é de César a César e o que é de Deus, a Deus.
Mateus 6,2
-
Não
podeis servir a Deus e ao dinheiro.
Mateus 6,21
-
Onde
está o teu tesouro, aí estará também teu coração.
Mateus 12,35
-
O
homem bom, do seu bom tesouro tira o bem.
O esforço na
Espiritualidade:
-
Segue-me e deixa que os mortos enterrem seus mortos – Mateus 8,22
-
Portanto, deveis ser perfeitos como o vosso Pai Celeste é prefeito –
Mateus 5,48
-
Não
tenhais medo – Lucas 12,32
-
O
Espírito Santo vos ensinará naquele momento o que deveis dizer – Lucas
12,12
-
Se
até as coisas mínimas ultrapassa o vosso poder, por que vos preocupar
com as outras – Lucas 12,26.
Entendendo o
momento:
-
Deus
vai ter abençoar em todas as tuas colheitas e em todo trabalho da tua
mão, para que fiqueis cheio de alegria – Deuteronômio 16,15.
-
Nada
há de oculto que não venha a ser manifesto e nada em segredo que não
venha à luz do dia. Se alguém tem ouvidos para ouvir, que ouça! Marcos
4,22.
-
Jesus
disse a ela: minha filha, a tua fé te curou. Vai em paz e fica curada
desse teu mal – Marcos 5,34.
-
Tende
confiança. Sou eu. Não tenhais medo. Marcos 6,50.
-
Tudo
é possível para aquele que crê – Marcos 9,23
-
Aos
homens é impossível, mas não a Deus, pois para Deus tudo é possível –
Marcos 10,27
-
O
filho do homem não veio para ser servido, mas para servir – Marcos
10,45.
-
Aquele que crer e for batizado será salvo. O que não crer será
condenado – Marcos 16,16.
São Paulo aos
Corintios oferece subsídios para entender a Espiritualidade no
Trabalho:
-
Tudo
é permitido, mas nem tudo convém. Tudo é permitido, mas nem tudo
edifica – 10,23.
-
O que
quer que façais, fazei tudo para a glória de Deus 10,31.
Também no trabalho,
permanecem 3 coisas:
-
A fé,
a esperança e o amor, mas o amor é o maior 13,13.
-
Deus
não é um Deus de desordem, mas um Deus de paz 14,32.
Dom Hélder Câmara -
arcebispo de Olinda e Recife – escreveu:
Quem se arranca de
si e parte como peregrino da justiça e da paz prepara-se para
enfrentar desertos.
Quem quer
participar a construção de um mundo mais justo e mais fraterno não
desanima, não perde a esperança.
É graça divina
começar bem. Graça maior, persistir na caminhada certa, manter o
ritmo. Mas a graça das graças é não desistir.
Dom Luciano Mendes
de Almeida – arcebispo de Mariana – ensinou:
Ajuda-me pensar que
Espiritualidade pode ser entendida como a vida humana à luz do
Espírito Santo que Deus nos deu para enfrentarmos os embates,
dificuldades da vida quotidiana.
-
O
trabalho como realização da pessoa humana (quem não trabalha acaba por
gastar a vida em coisas secundárias e até prejudiciais) e como
necessidade de cooperar para o bem comum, requer uma forte motivação
interior para dedicar-se quotidianamente a árduo esforço para cumprir
o dever, o cansaço, a rotina, etc. Esta motivação nos vem do anseio de
realizar a nossa missão nesta vida ( a vontade de Deus) e a certeza de
contarmos com a proteção divina.
Deus não falha em
nos conceder sua graça para cumprirmos sua vontade.
-
Precisamos, também, manter o coração em união com Deus, que entrando
em comunhão ( oração) constante que sustenta, alivia e fortalece a
nossa capacidade de lutar e vencer. Esta união com Deus faz parte da
espiritualidade do trabalho como cumprimento filial da vontade divina:
a mãe da família, o pai que trabalha, o operário que sustenta seu lar,
etc. tudo acontece (e deve acontecer sempre mais) na alegria da
presença, da proteção divina.
Considerar ainda a
satisfação de quem pelo trabalho faz bem a seus irmãos e irmãs em nome
de Deus. Assim lembro a alegria da enfermeira que trata com amor de um
doente, do trabalhador rural que alimenta sua família etc. É uma
alegria evangélica – feliz quem faz os outros felizes – Assim, o
trabalho é uma excelente oportunidade de praticar a caridade fraterna
e de experimentar a alegria do amor gratuito.
-
O
trabalho na perspectiva da espiritualidade cristã se beneficia da
motivação do amor, da união com Deus que dá forças para o trabalho e
da alegria de fazer o bem aos outros.
Pontos Específicos
Fundamental
estarmos convencidos de que sozinhos não podemos discernir a vida de
uma comunidade. Os outros são necessários.
O importante é cada
um saber se purificar de seu subjetivismo e perceber a ação de Deus,
criando uma plurivalência no interior da comunidade, que, a seu tempo,
dará o fruto desejado.
O processo de
discernimento: o mais difícil é saber quando a moção vem de Deus:
-
Houve
crescimento da fé?
-
Cresceu a paz, cresceu a alegria espiritual?
-
Cresceu o perdão, o serviço mútuo, a gratuidade?
Quando deixamos de
lado pequenos apegos e comodismo é sinal da presença do Espírito
Santo. A criatividade evangélica, descobrindo novos caminhos, indica a
origem divina das moções espirituais.
A espiritualidade
no trabalho chama a criatividade evangélica pela disponibilidade ao
serviço divino. A espiritualidade no trabalho ensina a comunidade a
perceber e interpretar a vontade de Deus. A espiritualidade no
trabalho permite sentir a presença de Deus que fortifica e guia seus
membros.
Salmo 118,6
-
O
senhor está a meu favor, não tenho medo de nada.
O evangelho de São
João tratando da espiritualidade:
João 3,36
-
Aquele que crê no Filho tem a vida eterna.
João 4,24
-
Deus
é espírito e por isso os que o adoram devem adorar em espírito e
verdade.
João 5,24
-
Aquele que ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida
eterna.
João 14,12
-
Aquele que crer em mim fará também as obras que eu faço.
João 16,23
-
Se
pedirdes alguma coisa a meu Pai em meu nome, Ele vo-la dará.
João 16,33
-
Tende
confiança, eu venci o mundo. |