A pregação na Bakhita

Convidado para vir a Barretos para as festividades natalinas, o padre Roque Schneider concelebrou a santa missa com o padre Deonízio Helko na Capela de Santa Bakhita na quarta-feira ao meio dia.

O padre Roque Schneider comentou o evangelho em que Zacarias escolhe o nome de João e então voltar a falar. Na homilia, o jesuíta lembrou que Cristo elogiou João Batista e a resposta enviada ao messias ao batista, em torno de suas obras.

-        O cristão precisa apresentar obras para mostrar sua fé em Deus – disse o sacerdote.

Em seguida, pediu que cada um fizesse um elogio a quem estivesse ao seu lado na missa.

Após a missa, distribui com o padre Deonízio Helko agendas de 2010 de presente aos leigos presentes. Com o padre Roque Schneider foram distribuídas 15 medalhas de Santa Bakhita.

- São muitos os aborrecimentos, tristezas, sofrimentos, problemas no cotidiano. Quantas dificuldades de entendimento, de compreensão, de solidariedade. Sem contar as doenças, dores, conflitos. Há, portanto mil razões para sofrer. E apenas uma para ser alegre. E a frase está em São Paulo:

-        Alegrai-vos sempre no Senhor. Alegrai-vos.

Ao pensar nos educadores, sinto ser impossível pedir que deixem de experimentar dores, dissabores, atritos e até ameaças. São aborrecimentos reais e verdadeiros. Porque são estes momentos extremamente humanos. Mas é preciso cultivar os momentos que são unicamente divinos.

-        Alegrai-vos no Senhor.

Um educador tem uma fonte inesgotável de alegria. Mesmo não sabendo como isto é possível.

MENSAGEM DO PAPA BENTO XVI

44O. DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS.

O sacerdote e a pastoral no mundo digital: os novos media ao serviço da Palavra.

O tema do próximo Dia Mundial das Comunicações Sociais - "O sacerdote e a pastoral no mundo digital: os novos media ao serviço da Palavra" - insere-se perfeitamente no trajeto do Ano Sacerdotal e traz à ribalta a reflexão sobre um âmbito vasto e delicado da pastoral como é o da comunicação e do mundo digital, que oferece ao sacerdote novas possibilidades para exercer o seu serviço à Palavra e da Palavra.

Os meios modernos de comunicação fazem parte, desde há muito tempo, dos instrumentos ordinários através dos quais as comunidades eclesiais se exprimem, entrando em contato com o seu próprio território e estabelecendo, muito freqüentemente, formas de diálogo mais abrangentes, mas a sua recente e incisiva difusão e a sua notável influência tornam cada vez mais importante e útil o seu uso no ministério sacerdotal.

A tarefa primária do sacerdote é anunciar Cristo, Palavra de Deus encarnada, e comunicar a multiforme graça divina portadora de salvação mediante os sacramentos. Convocada pela Palavra, a Igreja coloca-se como sinal e instrumento da comunhão que Deus realiza com o homem e que todo o sacerdote é chamado a edificar n’Ele e com Ele. Aqui reside a altíssima dignidade e beleza da missão sacerdotal, na qual se concretiza de modo privilegiado aquilo que afirma o apóstolo Paulo: "Na verdade, a Escritura diz: "Todo aquele que acreditar no Senhor não será confundido". [...] Portanto, todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Mas como hão-de invocar Aquele em quem não acreditam? E como hão-de acreditar n’Aquele de quem não ouviram falar? E como hão-de ouvir falar, se não houver quem lhes pregue? E como hão-de pregar, se não forem enviados?" (Rm 10,11.13-15).

Hoje, para dar respostas adequadas a estas questões no âmbito das grandes mudanças culturais, particularmente sentidas no mundo juvenil, tornaram-se um instrumento útil as vias de comunicação abertas pelas conquistas tecnológicas. De fato, pondo à nossa disposição meios que permitem uma capacidade de expressão praticamente ilimitada, o mundo digital abre perspectivas e concretizações notáveis ao incitamento Paulino: "Ai de mim se não anunciar o Evangelho!" (1 Cor 9,16). Por conseguinte, com a sua difusão, não só aumenta a responsabilidade do anúncio, mas esta torna-se também mais premente reclamando um compromisso mais motivado e eficaz.

A este respeito, o sacerdote acaba por encontrar-se como que no limiar de uma "história nova", porque quanto mais intensas forem as relações criadas pelas modernas tecnologias e mais ampliadas forem as fronteiras pelo mundo digital, tanto mais será chamado o sacerdote a ocupar-se disso pastoralmente, multiplicando o seu empenho em colocar os media ao serviço da Palavra.

Contudo, a divulgação dos "multimídia" e o diversificado "espectro de funções" da própria comunicação podem comportar o risco de uma utilização determinada principalmente pela mera exigência de marcar presença e de considerar erroneamente a internet apenas como um espaço a ser ocupado. Ora, aos presbíteros é pedida a capacidade de estarem presentes no mundo digital em constante fidelidade à mensagem evangélica, para desempenharem o próprio papel de animadores de comunidades, que hoje se exprimem cada vez mais freqüentemente através das muitas "vozes" que surgem do mundo digital, e anunciar o Evangelho recorrendo não só aos media tradicionais, mas também ao contributo da nova geração de audiovisuais (fotografia, vídeo, animações, blogues, páginas internet) que representam ocasiões inéditas de diálogo e meios úteis inclusive para a evangelização e a catequese.

Através dos meios modernos de comunicação, o sacerdote poderá dar a conhecer a vida da Igreja e ajudar os homens de hoje a descobrirem o rosto de Cristo, conjugando o uso oportuno e competente de tais meios - adquirido já no período de formação - com uma sólida preparação teológica e uma espiritualidade sacerdotal forte, alimentada pelo diálogo contínuo com o Senhor.

No impacto com o mundo digital, mais do que a mão do operador dos media, o presbítero deve fazer transparecer o seu coração de consagrado, para dar uma alma não só ao seu serviço pastoral, mas também ao fluxo comunicativo ininterrupto da "rede".

Também no mundo digital deve ficar patente que a amorosa atenção de Deus em Cristo por nós não é algo do passado nem uma teoria erudita, mas uma realidade absolutamente concreta e atual.

De fato, a pastoral no mundo digital há-de conseguir mostrar, aos homens do nosso tempo e à humanidade desorientada de hoje, que "Deus está próximo, que, em Cristo, somos todos parte uns dos outros" [Bento XVI, Discurso à Cúria Romana na apresentação dos votos de Natal: "L’Osservatore Romano" (21-22 de Dezembro de 2009) pág. 6].

Quem melhor do que um homem de Deus poderá desenvolver e pôr em prática, mediante as próprias competências no âmbito dos novos meios digitais, uma pastoral que torne Deus vivo e atual na realidade de hoje e apresente a sabedoria religiosa do passado como riqueza donde haurir para se viver dignamente o tempo presente e construir adequadamente o futuro? A tarefa de quem opera, como consagrado, nos media é aplanar a estrada para novos encontros, assegurando sempre a qualidade do contacto humano e a atenção às pessoas e às suas verdadeiras necessidades espirituais; oferecendo, às pessoas que vivem nesta nossa era "digital", os sinais necessários para reconhecerem o Senhor; dando-lhes a oportunidade de se educarem para a expectativa e a esperança, abeirando-se da Palavra de Deus que salva e favorece o desenvolvimento humano integral. A Palavra poderá assim fazer-se ao largono meio das numerosas encruzilhadas criadas pelo denso emaranhado das auto-estradas que sulcam o ciberespaço e afirmar o direito de cidadania de Deus em todas as épocas, a fim de que, através das novas formas de comunicação, Ele possa passar pelas ruas das cidades e deter-se no limiar das casas e dos corações, fazendo ouvir de novo a sua voz: "Eu estou à porta e chamo. Se alguém ouvir a minha voz e Me abrir a porta, entrarei em sua casa, cearei com ele e ele comigo" (Ap 3, 20).

Na Mensagem do ano passado para idêntica ocasião, encorajei os responsáveis pelos processos de comunicação a promoverem uma cultura que respeite a dignidade e o valor da pessoa humana. Este é um dos caminhos onde a Igreja é chamada a exercer uma "diaconia da cultura" no atual "continente digital". Com o Evangelho nas mãos e no coração, é preciso reafirmar que é tempo também de continuar a preparar caminhos que conduzam à Palavra de Deus, não descurando uma atenção particular por quem se encontra em condição de busca, mas antes procurando mantê-la desperta como primeiro passo para a evangelização. Efetivamente, uma pastoral no mundo digital é chamada a ter em conta também aqueles que não acreditam, caíram no desânimo e cultivam no coração desejos de absoluto e de verdades não caducas, dado que os novos meios permitem entrar em contacto com crentes de todas as religiões, com não-crentes e pessoas de todas as culturas. Do mesmo modo que o profeta Isaías chegou a imaginar uma casa de oração para todos os povos (cf. Is 56,7), não se poderá porventura prever que a internet possa dar espaço - como o "pátio dos gentios" do Templo de Jerusalém -também àqueles para quem Deus é ainda um desconhecido?

O desenvolvimento das novas tecnologias e, na sua dimensão global, todo o mundo digital representam um grande recurso, tanto para a humanidade no seu todo como para o homem na singularidade do seu ser, e um estímulo para o confronto e o diálogo. Mas aquelas apresentam-se igualmente como uma grande oportunidade para os crentes. De fato nenhum caminho pode, nem deve, ser vedado a quem, em nome de Cristo ressuscitado, se empenha em tornar-se cada vez mais solidário com o homem. Por conseguinte e antes de mais nada, os novos media oferecem aos presbíteros perspectivas sempre novas e, pastoralmente, ilimitadas, que os solicitam a valorizar a dimensão universal da Igreja para uma comunhão ampla e concreta; a ser no mundo de hoje testemunhas da vida sempre nova, gerada pela escuta do Evangelho de Jesus, o Filho eterno que veio ao nosso meio para nos salvar. Mas, é preciso não esquecer que a fecundidade do ministério sacerdotal deriva primariamente de Cristo encontrado e escutado na oração, anunciado com a pregação e o testemunho da vida, conhecido, amado e celebrado nos sacramentos, sobretudo da Santíssima Eucaristia e da Reconciliação.

A vós, queridos Sacerdotes, renovo o convite a que aproveiteis com sabedoria as singulares oportunidades oferecidas pela comunicação moderna. Que o Senhor vos torne apaixonados anunciadores da Boa Nova na "ágora" moderna criada pelos meios actuais de comunicação.

Com estes votos, invoco sobre vós a proteção da Mãe de Deus e do Santo Cura d’Ars e, com afecto, concedo a cada um a Bênção Apostólica.

Vaticano, 24 de Janeiro - dia de São Francisco de Sales - de 2010

 

MENSAGEM DO PAPA BENTO XVI

PARA O 43º DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS

«Novas tecnologias, novas relações. Promover uma cultura de respeito, de diálogo, de amizade»

[24 de Maio de 2009]

Amados irmãos e irmãs,

Aproximando-se o Dia Mundial das Comunicações Sociais, é com alegria que me dirijo a vós para expor-vos algumas minhas reflexões sobre o tema escolhido para este ano: Novas tecnologias, novas relações. Promover uma cultura de respeito, de diálogo, de amizade. Com efeito, as novas tecnologias digitais estão a provocar mudanças fundamentais nos modelos de comunicação e nas relações humanas. Estas mudanças são particularmente evidentes entre os jovens que cresceram em estreito contacto com estas novas técnicas de comunicação e, conseqüentemente, sentem-se à vontade num mundo digital que entretanto para nós, adultos que tivemos de aprender a compreender e apreciar as oportunidades por ele oferecidas à comunicação, muitas vezes parece estranho. Por isso, na mensagem deste ano, o meu pensamento dirige-se de modo particular a quem faz parte da chamada geração digital: com eles quero partilhar algumas idéias sobre o potencial extraordinário das novas tecnologias, quando usadas para favorecerem a compreensão e a solidariedade humana. Estas tecnologias são um verdadeiro dom para a humanidade: por isso devemos fazer com que as vantagens que oferecem sejam postas ao serviço de todos os seres humanos e de todas as comunidades, sobretudo de quem está necessitado e é vulnerável.

 

A facilidade de acesso a telemóveis e computadores juntamente com o alcance global e a omnipresença da internet criou uma multiplicidade de vias através das quais é possível enviar, instantaneamente, palavras e imagens aos cantos mais distantes e isolados do mundo: trata-se claramente duma possibilidade que era impensável para as gerações anteriores. De modo especial os jovens deram-se conta do enorme potencial que têm os novos «media» para favorecer a ligação, a comunicação e a compreensão entre indivíduos e comunidade, e usam-nos para comunicar com os seus amigos, encontrar novos, criar comunidades e redes, procurar informações e notícias, partilhar as próprias idéias e opiniões. Desta nova cultura da comunicação derivam muitos benefícios: as famílias podem permanecer em contacto apesar de separadas por enormes distâncias, os estudantes e os investigadores têm um acesso mais fácil e imediato aos documentos, às fontes e às descobertas científicas e podem por conseguinte trabalhar em equipa a partir de lugares diversos; além disso a natureza interativa dos novos «media» facilita formas mais dinâmicas de aprendizagem e comunicação que contribuem para o progresso social.

Embora seja motivo de maravilha a velocidade com que as novas tecnologias evoluíram em termos de segurança e eficiência, não deveria surpreender-nos a sua popularidade entre os utentes porque elas respondem ao desejo fundamental que têm as pessoas de se relacionar umas com as outras. Este desejo de comunicação e amizade está radicado na nossa própria natureza de seres humanos, não se podendo compreender adequadamente só como resposta às inovações tecnológicas. À luz da mensagem bíblica, aquele deve antes ser lido como reflexo da nossa participação no amor comunicativo e unificante de Deus, que quer fazer da humanidade inteira uma única família. Quando sentimos a necessidade de nos aproximar das outras pessoas, quando queremos conhecê-las melhor e dar-nos a conhecer, estamos a responder à vocação de Deus - uma vocação que está gravada na nossa natureza de seres criados à imagem e semelhança de Deus, o Deus da comunicação e da comunhão.

 

O desejo de interligação e o instinto de comunicação, que se revelam tão naturais na cultura contemporânea, na verdade são apenas manifestações modernas daquela propensão fundamental e constante que têm os seres humanos para se ultrapassarem a si mesmos entrando em relação com os outros. Na realidade, quando nos abrimos aos outros, damos satisfação às nossas carências mais profundas e tornamo-nos de forma mais plena humanos. De fato amar é aquilo para que fomos projetados pelo Criador. Naturalmente não falo de relações passageiras, superficiais; falo do verdadeiro amor, que constitui o centro da doutrina moral de Jesus: «Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com todas as tuas forças» e «amarás o teu próximo como a ti mesmo» (cf. Mc 12, 30-31). Refletindo, à luz disto, sobre o significado das novas tecnologias, é importante considerar não só a sua indubitável capacidade de favorecer o contacto entre as pessoas, mas também a qualidade dos conteúdos que aquelas são chamadas a pôr em circulação. Desejo encorajar todas as pessoas de boa vontade, ativas no mundo emergente da comunicação digital, a que se empenhem na promoção de uma cultura do respeito, do diálogo, da amizade.

Assim, aqueles que operam no sector da produção e difusão de conteúdos dos novos «media» não podem deixar de sentir-se obrigados ao respeito da dignidade e do valor da pessoa humana. Se as novas tecnologias devem servir o bem dos indivíduos e da sociedade, então aqueles que as usam devem evitar a partilha de palavras e imagens degradantes para o ser humano e, conseqüentemente, excluir aquilo que alimenta o ódio e a intolerância, envilece a beleza e a intimidade da sexualidade humana, explora os débeis e os inermes.

As novas tecnologias abriram também a estrada para o diálogo entre pessoas de diferentes países, culturas e religiões. A nova arena digital, o chamado cyberspace, permite encontrar-se e conhecer os valores e as tradições alheias. Contudo, tais encontros, para ser fecundos, requerem formas honestas e corretas de expressão juntamente com uma escuta atenciosa e respeitadora. O diálogo deve estar radicado numa busca sincera e recíproca da verdade, para realizar a promoção do desenvolvimento na compreensão e na tolerância. A vida não é uma mera sucessão de fatos e experiências: é antes a busca da verdade, do bem e do belo. É precisamente com tal finalidade que realizamos as nossas opções, exercitamos a nossa liberdade e nisso - isto é, na verdade, no bem e no belo - encontramos felicidade e alegria. É preciso não se deixar enganar por aqueles que andam simplesmente à procura de consumidores num mercado de possibilidades indiscriminadas, onde a escolha em si mesma se torna o bem, a novidade se contrabandeia por beleza, a experiência subjetiva sobrepõem-se à verdade.

O conceito de amizade logrou um renovado lançamento no vocabulário das redes sociais digitais que surgiram nos últimos anos. Este conceito é uma das conquistas mais nobres da cultura humana. Nas nossas amizades e através delas crescemos e desenvolvemo-nos como seres humanos. Por isso mesmo, desde sempre a verdadeira amizade foi considerada uma das maiores riquezas de que pode dispor o ser humano. Por este motivo, é preciso prestar atenção a não banalizar o conceito e a experiência da amizade. Seria triste se o nosso desejo de sustentar e desenvolver on-line as amizades fosse realizado à custa da nossa disponibilidade para a família, para os vizinhos e para aqueles que encontramos na realidade do dia a dia, no lugar de trabalho, na escola, nos tempos livres. De facto, quando o desejo de ligação virtual se torna obsessivo, a consequência é que a pessoa se isola, interrompendo a interacção social real. Isto acaba por perturbar também as formas de repouso, de silêncio e de reflexão necessárias para um são desenvolvimento humano.

A amizade é um grande bem humano, mas esvaziar-se-ia do seu valor, se fosse considerada fim em si mesma. Os amigos devem sustentar-se e encorajar-se reciprocamente no desenvolvimento dos seus dons e talentos e na sua colocação ao serviço da comunidade humana. Neste contexto, é gratificante ver a aparição de novas redes digitais que procuram promover a solidariedade humana, a paz e a justiça, os direitos humanos e o respeito pela vida e o bem da criação. Estas redes podem facilitar formas de cooperação entre povos de diversos contextos geográficos e culturais, consentindo-lhes de aprofundar a comum humanidade e o sentido de corresponsabilidade pelo bem de todos. Todavia devemo-nos preocupar por fazer com que o mundo digital, onde tais redes podem ser constituídas, seja um mundo verdadeiramente acessível a todos. Seria um grave dano para o futuro da humanidade, se os novos instrumentos da comunicação, que permitem partilhar saber e informações de maneira mais rápida e eficaz, não fossem tornados acessíveis àqueles que já são econômica e socialmente marginalizados ou se contribuíssem apenas para incrementar o desnível que separa os pobres das novas redes que se estão a desenvolver ao serviço da informação e da socialização humana.

Quero concluir esta mensagem dirigindo-me especialmente aos jovens católicos, para os exortar a levarem para o mundo digital o testemunho da sua fé. Caríssimos, senti-vos comprometidos a introduzir na cultura deste novo ambiente comunicador e informativo os valores sobre os quais assenta a vossa vida. Nos primeiros tempos da Igreja, os Apóstolos e os seus discípulos levaram a Boa Nova de Jesus ao mundo greco-romano: como então a evangelização, para ser frutuosa, requereu uma atenta compreensão da cultura e dos costumes daqueles povos pagãos com o intuito de tocar as suas mentes e corações, assim agora o anúncio de Cristo no mundo das novas tecnologias supõe um conhecimento profundo das mesmas para se chegar a uma sua conveniente utilização. A vós, jovens, que vos encontrais quase espontaneamente em sintonia com estes novos meios de comunicação, compete de modo particular a tarefa da evangelização deste «continente digital». Sabei assumir com entusiasmo o anúncio do Evangelho aos vossos coetâneos! Conheceis os seus medos e as suas esperanças, os seus entusiasmos e as suas desilusões: o dom mais precioso que lhes podeis oferecer é partilhar com eles a «boa nova» de um Deus que Se fez homem, sofreu, morreu e ressuscitou para salvar a humanidade. O coração humano anseia por um mundo onde reine o amor, onde os dons sejam compartilhados, onde se construa a unidade, onde a liberdade encontre o seu significado na verdade e onde a identidade de cada um se realize numa respeitosa comunhão. A estas expectativas pode dar resposta a fé: sede os seus arautos! Sabei que o Papa vos acompanha com a sua oração e a sua bênção.

 

Vaticano, 24 de Janeiro - dia de São Francisco de Sales - de 2009.

BENEDICTUS PP. XVI

 

MENSAGEM DO PAPA BENTO XVI

PARA O 42º DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS

«Os meios de comunicação social: na encruzilhada entre protagonismo e serviço.

Buscar a verdade para partilhá-la»

[Domingo, 4 de Maio de 2008]

Queridos irmãos e irmãs!

1. O tema da próxima Jornada Mundial das Comunicações Sociais – «Os meios de comunicação social: na encruzilhada entre protagonismo e serviço. Buscar a verdade para partilhá-la» – coloca em relevo como é importante o papel destes instrumentos na vida das pessoas e da sociedade. De fato, não existe âmbito da experiência humana, sobretudo se enquadrada no vasto fenômeno da globalização, onde os media não se tenham tornado parte constitutiva das relações interpessoais e dos processos sociais, econômicos, políticos e religiosos. A tal propósito, escrevi na Mensagem para a Jornada da Paz do passado dia 1 de Janeiro: «Os meios de comunicação social, pelas potencialidades educativas de que dispõem, têm uma responsabilidade especial de promover o respeito pela família, de ilustrar as suas expectativas e os seus direitos, de pôr em evidência a sua beleza» (n. 5).

2. Graças a uma vertiginosa evolução tecnológica, os referidos meios foram adquirindo potencialidades extraordinárias, ao mesmo tempo que levantavam novas e inéditas interrogações e problemas. É inegável a contribuição que podem dar para a circulação das notícias, o conhecimento dos fatos e a difusão do saber: por exemplo, contribuíram de modo decisivo para a alfabetização e a socialização, como também para o avanço da democracia e do diálogo entre os povos. Sem a sua contribuição, seria verdadeiramente difícil favorecer e melhorar a compreensão entre as nações, conferir respiro universal aos diálogos de paz, garantir ao homem o bem primário da informação, assegurando ao mesmo tempo a livre circulação de intentos a bem nomeadamente dos ideais de solidariedade e justiça social. Sim! Os media, no seu conjunto, não servem apenas para a difusão das idéias, mas podem e devem ser também instrumentos ao serviço de um mundo mais justo e solidário. Infelizmente, é bem real o risco de, pelo contrário, se transformarem em sistemas que visam submeter o homem a lógicas ditadas pelos interesses predominantes de momento. É o caso de uma comunicação usada para fins ideológicos ou para a venda de produtos de consumo mediante uma publicidade obsessiva. Com o pretexto de se apresentar a realidade, de fato tende-se a legitimar e a impor modelos errados de vida pessoal, familiar ou social. Além disso, para atrair os ouvintes, a chamada quota de audiências, por vezes não se hesita em recorrer à transgressão, à vulgaridade e à violência. Existe enfim a possibilidade de serem propostos e defendidos, através dos media, modelos de desenvolvimento que, em vez de reduzir, aumentam o desnível tecnológico entre países ricos e pobres.

3. A humanidade encontra-se hoje numa encruzilhada. Vale também para os media aquilo que escrevi, na Encíclica Spe salvi, sobre a ambigüidade do progresso, que oferece inéditas potencialidades para o bem, mas ao mesmo tempo abre possibilidades abissais de mal que antes não existiam (cf. n. 22). Por isso, há que interrogar-se se é sensato deixar que os instrumentos de comunicação social se ponham ao serviço de um protagonismo indiscriminado ou acabem em poder de quem se serve deles para manipular as consciências. Não se deveria, antes, fazer com que permaneçam ao serviço da pessoa e do bem comum e favoreçam «a formação ética do homem, o crescimento do homem interior» (Spe salvi, 22)? A sua influência extraordinária na vida das pessoas e da sociedade é um fato amplamente reconhecido, mas hoje há que pôr em evidência a viragem, diria mesmo a mudança verdadeira e própria de função, que os media estão a enfrentar. Hoje, de modo sempre mais acentuado, a comunicação parece às vezes ter a pretensão não só de apresentar a realidade, mas também de a determinar graças à capacidade e força de sugestão que possui. Constata-se, por exemplo, que em certos casos os media são utilizados, não para um correto serviço de informação, mas para «criar» os próprios acontecimentos. Esta perigosa alteração da sua função é vista com preocupação por muitos Pastores. Exatamente porque se trata de realidades que incidem profundamente em todas as dimensões da vida humana (moral, intelectual, religiosa, relacional, afetiva, cultural), estando em jogo o bem da pessoa, impõe-se reafirmar que nem tudo aquilo que for tecnicamente possível é eticamente praticável. Por isso, o impacto dos meios de comunicação sobre a vida do homem contemporâneo coloca questões inevitáveis, que aguardam decisões e respostas não mais adiáveis.

4. O papel que os instrumentos de comunicação assumiram na sociedade é já considerado parte integrante da questão antropológica, que surge como desafio crucial do terceiro milênio. De modo semelhante ao que se verifica no sector da vida humana, do matrimônio e da família e no âmbito das grandes questões contemporâneas relativas à paz, à justiça e à defesa da criação, também no sector das comunicações sociais estão em jogo dimensões constitutivas do homem e da sua verdade. Quando a comunicação perde as amarras éticas e se esquiva ao controle social, acaba por deixar de ter em conta a centralidade e a dignidade inviolável do homem, arriscando-se a influir negativamente sobre a sua consciência, sobre as suas decisões, e a condicionar em última análise a liberdade e a própria vida das pessoas. Por este motivo é indispensável que as comunicações sociais defendam ciosamente a pessoa e respeitem plenamente a sua dignidade. São muitos a pensar que, neste âmbito, seja atualmente necessária uma «info-ética» tal como existe a bio-ética no campo da medicina e da pesquisa científica relacionada com a vida.

 

5. É preciso evitar que os media se tornem o megafone do materialismo econômico e do relativismo ético, verdadeiras pragas do nosso tempo. Pelo contrário, eles podem e devem contribuir para dar a conhecer a verdade sobre o homem, defendendo-a face àqueles que tendem a negá-la ou a destruí-la. Pode-se mesmo afirmar que a busca e a apresentação da verdade sobre o homem constituem a vocação mais sublime da comunicação social. Usar para tal fim as linguagens todas e cada vez mais belas e primorosas de que dispõem os media é uma tarefa grandiosa, confiada em primeiro lugar aos responsáveis e operadores do sector. Mas tal tarefa, de algum modo, diz respeito a todos nós, porque todos, nesta época da globalização, somos utentes e operadores de comunicações sociais. Os novos media, sobretudo telefonia e internet, estão a modificar a própria fisionomia da comunicação, e talvez esta seja uma ocasião preciosa para a redesenhar, ou seja, para tornar mais visíveis, como disse o meu venerado predecessor João Paulo II, os traços essenciais e irrenunciáveis da verdade sobre a pessoa humana (cf. Carta apostólica O rápido desenvolvimento, 10).

6. O homem tem sede de verdade, anda à procura da verdade; demonstram-no nomeadamente a atenção e o sucesso registrados por muitas publicações, programas ou filmes de qualidade, onde são reconhecidas e bem apresentadas a verdade, a beleza e a grandeza da pessoa, incluindo a sua dimensão religiosa. Jesus disse: «Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará» (Jo 8, 32). A verdade que nos torna livres é Cristo, porque só Ele pode corresponder plenamente à sede de vida e de amor que está no coração do homem. Quem O encontrou e se apaixona pela sua mensagem, experimenta o desejo irreprimível de partilhar e comunicar esta verdade: «O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos – escreve São João –, o que contemplamos, o que tocamos com as nossas mãos acerca do Verbo da Vida, é o que nós vos anunciamos […], para que estejais também em comunhão conosco. E a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo. Escrevemos tudo isto, para que a vossa alegria seja completa» (1 Jo 1, 1-3).

Invocamos o Espírito Santo para que não faltem comunicadores corajosos e testemunhas autênticas da verdade que, fiéis ao mandato de Cristo e apaixonados pela mensagem da fé, «saibam tornar-se intérpretes das exigências culturais contemporâneas, comprometendo-se a viver esta época da comunicação, não como um tempo de alienação e de confusão, mas como um período precioso para a investigação da verdade e para o desenvolvimento da comunhão entre as pessoas e entre os povos» (João Paulo II, Discurso no Congresso Parábolas mediáticas, 9 de Novembro de 2002).

Com estes votos, afetuosamente concedo a todos a minha Bênção.

Vaticano, 24 de Janeiro – festa de São Francisco de Sales – de 2008.

BENEDICTUS PP. XVI

 

 

MENSAGEM DO PAPA BENTO XVI

PARA O 41º DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS

"As crianças e os meios de comunicação social: um desafio para a educação"

[Domingo, 20 de Maio de 2007]

Queridos Irmãos e Irmãs

1. O tema do 41º Dia Mundial das Comunicações Sociais, «As crianças e os meios de comunicação social: um desafio para a educação», convida-nos a refletir sobre dois assuntos de imensa importância. A formação das crianças é o primeiro. O segundo, talvez menos óbvio mas não menos importante, é a formação dos meios de comunicação social.

Os complexos desafios que se apresentam para a educação nos dias de hoje estão freqüentemente vinculados à ampla influência dos meios de comunicação social no nosso mundo. Como um dos aspectos do fenômeno da globalização, e facilitados pelo rápido desenvolvimento da tecnologia, os meios de comunicação social modelam profundamente o ambiente cultural (cf. Papa João Paulo II, Carta Apostólica O rápido desenvolvimento, 3). Com efeito, algumas pessoas afirmam que a influência formativa dos meios de comunicação social concorre com a da escola, da Igreja e talvez mesmo do lar. «Para muitas pessoas, a realidade corresponde ao que os mass media definem como tal» (Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, Aetatis novae, 4).

2. A relação entre crianças, meios de comunicação social e educação pode ser considerada a partir de duas perspectivas: a formação das crianças por parte dos mass media; e a formação das crianças para que respondam apropriadamente aos mass media. Sobressai um tipo de reciprocidade que indica as responsabilidades dos meios de comunicação social como indústria e a necessidade de uma participação activa e crítica dos leitores, dos espectadores e dos ouvintes. Nesta perspectiva, formar-se no uso apropriado dos meios de comunicação social é essencial para o desenvolvimento cultural, moral e espiritual das crianças.

Como é que se há-de salvaguardar e promover o bem comum? Educar as crianças a serem judiciosas no uso dos mass media é uma responsabilidade que cabe aos pais, à Igreja e à escola. O papel dos pais é de importância primordial. Eles têm o direito e o dever de assegurar o uso prudente dos meios de comunicação social, formando a consciência dos seus filhos a fim de que expressem juízos sadios e objectivos, que sucessivamente há-de de orientá-los na escolha ou rejeição dos programas disponíveis (cf. Papa João Paulo II, Exortação Apostólica Familiaris consortio, 76). Ao agir deste modo, os pais deveriam contar com o encorajamento e a assistência das escolas e das paróquias, para garantir que este aspecto difícil mas estimulante da educação é apoiado pela comunidade mais vasta.

A educação aos mass media deveria ser positiva. As crianças expostas ao que é estética e moralmente excelente são ajudadas a desenvolver o apreço, a prudência e as capacidades de discernimento. Aqui é importante reconhecer o valor fundamental do exemplo dos pais e os benefícios da apresentação aos jovens dos clássicos infantis da literatura, das belas-artes e da música edificante. Enquanto a literatura popular terá sempre o seu espaço na cultura, a tentação do sensacionalismo não deveria ser passivamente aceite nos lugares de ensino. A beleza, uma espécie de espelho do divino, inspira e vivifica os corações e as mentes mais jovens, ao passo que a torpeza e a vulgaridade têm um impacto depressivo sobre as atitudes e os comportamentos.

Como a educação em geral, a educação aos mass media exige a formação no exercício da liberdade. Trata-se de uma tarefa exigente. Muitas vezes a liberdade é apresentada como uma busca implacável do prazer e de novas experiências. Contudo, isto é uma condenação, não uma libertação! A verdadeira liberdade jamais poderia condenar o indivíduo - especialmente a criança - a uma busca insaciável de novidades. À luz da verdade, a liberdade autêntica é experimentada como uma resposta definitiva ao «sim» de Deus à humanidade, enquanto nos chama a escolher, não indiscriminada mas deliberadamente, tudo o que é bom, verdadeiro e belo. Assim os pais, como guardiões de tal liberdade, concederão gradualmente uma maior liberdade aos seus filhos, introduzindo-os ao mesmo na profunda alegria da vida (cf. Discurso no V Encontro Mundial das Famílias, Valência, 8 de Julho de 2006).

3. Esta aspiração sincera dos pais e professores de educar as crianças pelos caminhos da beleza, da verdade e da bondade somente pode ser sustentada pela indústria dos meios de comunicação social, na medida em que ela promover a dignidade humana fundamental, o valor genuíno do matrimônio e da vida familiar, e as conquistas e as finalidades positivas da humanidade. Deste modo, a necessidade que os mass media têm de se comprometerem na formação efetiva e nos padrões éticos é considerada com particular interesse e mesmo urgência, não só pelos pais e professores, mas também por todos aqueles que têm um sentido de responsabilidade cívica.

Mesmo quando estamos convencidos de que muitas pessoas comprometidas nos meios de comunicação social desejam realizar o que é justo (cf. Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, Ética nas Comunicações, 4), devemos reconhecer também que as que trabalham neste campo enfrentam «pressões psicológicas e dilemas éticos particulares» (Aetatis novae, 19), que por vezes vêem a concorrência comercial impelir os comunicadores para níveis mais baixos. Qualquer tendência a realizar programas e produtos - inclusive desenhos animados e videojogos - que, em nome do entretenimento, exalta a violência e apresenta comportamentos anti-sociais ou a banalização da sexualidade humana constitui uma perversão, e é ainda mais repugnante quando tais programas são destinados às crianças e aos adolescentes. Como é que se poderia explicar este «entretenimento» aos numerosos jovens inocentes que realmente são vítimas da violência, da exploração e do abuso? A este propósito, todos deveriam reflectir sobre o contraste entre Cristo, que «as tomou [as crianças] nos braços e as abençoou, impondo-lhes as mãos» (Mc 10, 16) e aquele que «escandaliza... estes pequeninos», a quem «seria melhor... que lhe atassem ao pescoço uma pedra de moinho» (Lc 17, 2). Uma vez mais, exorto os responsáveis da indústria dos meios de comunicação social a salvaguardarem o bem comum, a promoverem a verdade, a protegerem a dignidade humana de cada indivíduo e a fomentarem o respeito pelas necessidades da família.

4. A própria Igreja, à luz da mensagem de salvação que lhe foi confiada, é também uma mestra de humanidade e valoriza a oportunidade de oferecer assistência aos pais, aos educadores, aos comunicadores e aos jovens. Os seus programas paroquiais e escolares deveriam ocupar um lugar de vanguarda na educação aos mass media nos dias de hoje. Sobretudo, a Igreja deseja compartilhar uma visão da dignidade humana que é central para toda a comunicação humana digna. «Eu vejo com os olhos de Cristo e posso dar ao outro muito mais do que as coisas externamente necessárias: posso dar-lhe o olhar de amor de que ele precisa» (Deus caritas est, 18).

Desde o Vaticano, 24 de Janeiro de 2007, festa de São Francisco de Sales.

BENEDICTUS PP. XVI

 

MENSAGEM DO PAPA BENTO XVI

PARA O 40º DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS

A mídia: rede de comunicação, comunhão e cooperação.

[Domingo, 28 de Maio de 2006]

Amados Irmãos e Irmãs

1. Em continuidade com o quadragésimo aniversário da conclusão do Concílio EcumênicoVaticano II, desejo recordar o Decreto sobre os Meios de Comunicação Social, Inter mirifica, que reconheceu aos mass media o poder de influenciar toda a sociedade humana. A necessidade de usufruir do melhor modo possível de tais potencialidades, em benefício da humanidade inteira, estimulou-me, nesta minha primeira mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, a reflectir acerca do conceito de que a mídia se pode configurar como uma rede capaz de facilitar a comunicação, a comunhão e a cooperação.

São Paulo, na sua carta aos Efésios, descreve detalhadamente a nossa vocação humana para «participar na natureza divina» (Dei Verbum, 21): através de Cristo podemos apresentar-nos ao Pai num só Espírito; assim já não somos estrangeiros nem hóspedes, mas concidadãos dos santos e familiares de Deus, tornando-nos templo santo e habitação de Deus (cf. Ef 2, 18-22). Este retrato sublime de uma vida de comunhão engloba todos os aspectos da nossa existência como cristãos. A chamada a ser fiéis à comunicação de Deus em Cristo é uma chamada a reconhecer a Sua força dinâmica dentro de nós, que depois se alarga aos outros, para que este amor se torne realmente a medida dominante do mundo (cf. Homilia para a Jornada Mundial da Juventude, Colônia, 21 de Agosto de 2005).

2. Em certos aspectos, os progressos tecnológicos dos meios de comunicação venceram o tempo e o espaço, permitindo a comunicação imediata e direta também entre pessoas divididas por enormes distâncias. Este desenvolvimento exige uma grande oportunidade para servir o bem comum e «constitui um patrimônio que deve ser salvaguardado e promovido» (O rápido desenvolvimento, 10). Mas como bem sabemos, o nosso mundo está longe de ser perfeito e verificamos quotidianamente que a rapidez da comunicação nem sempre consegue criar um espírito de colaboração e de comunhão no âmbito da sociedade.

Iluminar as consciências dos indivíduos e ajudá-los a desenvolver o próprio pensamento não é uma tarefa fácil. A comunicação autêntica deve basear-se na coragem e na decisão. Quantos trabalham na mídia devem estar determinados a não se deixarem subjugar pela grande quantidade de informações e não devem contentar-se com verdades parciais ou transitórias. De fato, é preciso procurar difundir as verdades fundamentais e o significado profundo da existência humana, pessoal e social (cf. Fides et ratio, 5). Desta forma os meios de comunicação podem contribuir construtivamente para a difusão de tudo o que é bom e verdadeiro.

3. Hoje o apelo que se faz à mídia é que seja responsável, para se tornar protagonista da verdade e promotora da paz que dela deriva, mesmo se isto comporta grandes desafios. Os diversos instrumentos da comunicação social facilitam o intercâmbio de informações e de idéias, contribuindo para a compreensão recíproca entre os diversos grupos, mas ao mesmo tempo podem ser contaminados pela ambigüidade. Os meios de comunicação social são uma «grande mesa redonda» para o diálogo da humanidade, mas algumas atitudes no seu interior podem gerar uma monocultura que ofusca o gênio criativo, reduz a subtileza de um pensamento complexo e desvaloriza as peculiaridades das práticas culturais e a individualidade do credo religioso. Estas degenerações verificam-se quando a indústria da mídia se torna fim em si mesma, tendo unicamente por finalidade o lucro, perdendo de vista o sentido de responsabilidade no serviço ao bem comum.

 

Por conseguinte, é necessário garantir uma cuidadosa crónica dos acontecimentos, uma explicação satisfatória dos assuntos de interesse público, uma apresentação honesta dos diversos pontos de vista. A necessidade de defender e encorajar o matrimónio e a vida da família é particularmente importante, sobretudo porque se faz referência ao fundamento de todas as culturas e sociedades (cf. Apostolicam actuositatem, 11). Em colaboração com os pais, os meios de comunicação social e as indústrias do espectáculo podem servir de apoio na difícil mas nobre e satisfatória vocação de educar as crianças, apresentando modelos edificantes de vida humana e de amor (cf. Inter mirifica, 11). Quando se verifica o contrário, todos nós nos sentimos desencorajados e aviltados. O nosso coração sofre sobretudo quando os nossos jovens são subjugados por expressões de amor degradantes ou falsas, que ridicularizam a dignidade doada por Deus a cada pessoa humana e ameaçam os interesses da família.

 

4. Para encorajar uma presença construtiva e concreta dos mass media na sociedade, desejo realçar a importância de três aspectos, indicados pelo meu venerado predecessor, o Papa João Paulo II, indispensáveis para um serviço destinado ao bem comum: formação, participação e diálogo (cf. O rápido desenvolvimento, 11).

A formação para um uso responsável e crítico da mídia ajuda a pessoa a servir-se dela de modo inteligente e apropriado. O impacto incisivo de um novo vocabulário e de novas imagens, que sobretudo os mass media eletrônicos introduzem tão facilmente na sociedade, não devem ser subestimados. A mídia contemporânea forma a cultura popular, portanto deve vencer qualquer tentação de manipulação, sobretudo em relação aos jovens, procurando ao contrário educar e servir, para garantir a realização de uma sociedade civil digna da pessoa humana, e não a sua desagregação.

A participação na mídia nasce da sua própria natureza, como bem destinado a todos os povos. Como serviço público, a comunicação social exige um espírito de cooperação e co-responsabilidade, exige um uso dos recursos públicos sábio como nunca e um sério compromisso da parte de quantos desempenham papéis de responsabilidade pública (cf. Ética nas Comunicações Sociais, 20), recorrendo também a normas de regulação e a outras providências ou estruturas designadas para tal finalidade.

Por fim, a promoção do diálogo através do intercâmbio de cultura, a expressão de solidariedade e a adesão à paz oferecem uma grande oportunidade à mídia que necessita ser revalorizada e usada. Desta forma, ela torna-se recurso importante e precioso para construir uma civilização de amor, que é o desejo de todos os povos.

Tenho a certeza de que sérios esforços para promover estes três aspectos desenvolverão nos mass media a sua vocação de redes de comunicação, de comunhão e de cooperação, ajudando homens, mulheres e crianças a tornarem-se mais conscientes da dignidade da pessoa humana, mais responsáveis e mais abertos aos outros, sobretudo aos membros da sociedade mais necessitados e mais débeis (cf. Redemptor hominis, 15; Ética nas Comunicações Sociais, 4).

Para concluir, desejo recordar as encorajadoras palavras de São Paulo: Cristo é a nossa paz. Aquele que de dois fez um só povo (cf. Ef 2, 14). Derrubemos o muro de hostilidades que nos divide e construamos a comunhão de amor, segundo os projetos do Criador, revelados através do Seu Filho!

Vaticano, 24 de Janeiro de 2006, Solenidade de São Francisco de Sales.

BENEDICTUS PP. XVI

 

 

MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II

PARA O 28º DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS 1994

«Televisão e família: critérios para saber ver»

Caros irmãos e irmãs!

Nos últimos decênios, a televisão revolucionou as comunicações, influenciando profundamente a vida familiar. Hoje, a televisão é uma fonte primária de notícias, de informações e de distração para inumeráveis famílias, a ponto de modelar as suas atitudes e as suas opiniões, os seus valores e os protótipos de comportamento.

A televisão pode enriquecer a vida familiar. Pode unir entre si, mais estreitamente, os membros da família, e promover a sua solidariedade para com outras famílias e para com a mais vasta comunidade humana; pode fazer crescer neles não só a cultura geral, mas também a religiosa, permitindo que escutem a Palavra de Deus, reforcem a própria identidade religiosa e nutram a própria vida moral e espiritual.

A televisão pode, também, prejudicar a vida familiar; difundindo valores e modelos de comportamento falseados ou degradantes, divulgando pornografia e imagens de violência brutal; inculcando o relativismo moral e o ceticismo religioso; espalhando notícias distorcidas ou informações manipuladas sobre fatos e problemas da atualidade; transmitindo publicidade exploratória ligada aos mais baixos instintos; exaltando falsas visões da vida que impedem a atuação do respeito mútuo, da justiça e da paz.

A televisão pode ainda ter efeitos negativos sobre a família mesmo quando os programas não são, de per si, moralmente criticáveis: ela pode induzir os membros da família a se isolarem no seu mundo privado, tirando-a dos autênticos relacionamentos interpessoais, e também dividir a família, afastando os pais dos filhos e os filhos dos pais.

Uma vez que a renovação moral e espiritual da família humana na sua plenitude deve fundar-se na autêntica renovação de cada família, o tema do Dia Mundial das Comunicações Sociais de 1994 — "Televisão e família: critérios para saber ver" — é particularmente apropriado, sobretudo neste Ano Internacional da Família, durante o qual a comunidade mundial está buscando como dar novo vigor à vida familiar.

Nesta mensagem, desejo especialmente ressaltar as responsabilidades dos pais, dos homens e mulheres da indústria televisiva, as responsabilidades das autoridades públicas e dos que cumprem os seus deveres pastorais e educativos na Igreja. Está em suas mãos o poder de fazer da televisão um meio sempre mais eficaz para ajudar as famílias a desempenhar o próprio papel, que é o de formar uma força de renovação moral e social.

Deus investiu os pais da grave responsabilidade de ajudar os filhos a "buscar a verdade e a viver em conformidade com ela, a buscar o bem e a promovê-lo".(Mensagem para celebração do Dia da Paz, 1991, n. 3) Os pais têm ainda o dever de levar os filhos a apreciar "tudo o que é verdadeiro, digno de respeito ou justo, puro, amável ou honroso" (Fl 4,8).

Portanto, além de ser espectadores que podem discernir por si só, os pais deveriam contribuir ativamente para formar nos próprios filhos, ao assistir a televisão, hábitos que levem a um sadio desenvolvimento humano, moral, religioso. Os pais deveriam, com antecedência, informar os próprios filhos sobre o conteúdo dos programas e fazer, conseqüentemente, a escolha consciente para o bem da família, sobre o que ver ou o que não ver. Neste sentido, podem ajudar as recensões e os juízos fornecidos por organismos religiosos e por outros grupos responsáveis, como também programas educativos propostos pelos meios de comunicação social. Os pais deveriam também discutir sobre a televisão com os próprios filhos, fazendo com que tenham condição de controlar a quantidade e a qualidade dos programas que assistem e de perceber e julgar os valores éticos que estão na base de certos programas, uma vez que a família é "o veículo privilegiado para a transmissão dos valores religiosos e culturais que ajudam a pessoa a conquistar a própria identidade" (Mensagem para celebração do Dia da Paz, 1994, n. 2).

Formar os hábitos dos filhos pode, por vezes, querer simplesmente significar apagar o televisor, porque há coisas melhores a se fazer, ou porque a consideração para com os outros membros da família o exige, ou porque a assistência indiscriminada da televisão pode ser prejudicial. Os pais que usam habitualmente e por tempo prolongado a televisão como uma espécie de babá eletrônica, abdicam do seu papel de primeiros educadores dos próprios filhos. Esta dependência da televisão pode privar os membros da família da oportunidade de interagir mutuamente através da conversa, das atividades e da oração comuns. Os pais sábios são, além disso, conscientes de que também os bons programas devem ser completados por outras fontes de informação, entretenimento, educação e cultura.

Para garantir que a indústria da televisão respeite os direitos da família, os pais deveriam expressar suas legítimas preocupações aos produtores e aos responsáveis pelos meios de comunicação social. Às vezes será útil unir-se a outros, formando associações que representem os seus interesses, em relação aos meios de comunicação, aos financiadores, aos patrocinadores e às autoridades públicas.

Os que trabalham para a televisão — "managers" e funcionários, produtores e diretores, autores e pesquisadores, jornalistas, personagens do elenco e técnicos —, todos têm graves responsabilidades morais para com as famílias, que são a grande parte do seu público. Na sua vida profissional e pessoal, os que trabalham no setor televisivo deveriam colocar todo empenho nos relacionamentos com a família, considerada como fundamental comunidade social de vida, de amor e solidariedade. Reconhecendo a capacidade de persuasão da estrutura junto A. qual trabalham, deveriam fazer-se promotores de autênticos valores espirituais e morais, e evitar "tudo o que pode ofender a família em sua existência, em sua estabilidade, em seu equilíbrio e em sua felicidade [...] quer se trate de erotismo ou de violência, de apologia do divórcio ou de atitudes anti-sociais dos jovens" (Paulo VI, Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, 1969, n. 2

A televisão tem, freqüentemente, a oportunidade de tratar de assuntos sérios: a fraqueza humana e o pecado, e as suas conseqüências para os indivíduos e a sociedade; as fraquezas das instituições sociais, inclusive os governos e a religião; as interrogações fundamentais sobre o significado da vida. A televisão deveria tratar estes temas de forma responsável, sem sensacionalismos, com uma preocupação sincera pelo bem da sociedade e um respeito escrupuloso pela verdade. "A verdade vos tornará livres" (Jo 8,32), disse Jesus; e toda verdade tem o seu fundamento em Deus, que é também a fonte da nossa liberdade e da nossa capacidade criativa.

No desempenho das próprias responsabilidades, a indústria da televisão deveria desenvolver e observar um código de ética que incluísse o empenho de satisfazer as necessidades das famílias e de promover valores para sustento da vida familiar. Os conselhos também, formados por membros da indústria da televisão e por representantes dos usuários dos meios de comunicação de massa, são um modo desejável de tornar a televisão mais sensível às necessidades e aos valores dos usuários. Os canais de televisão, geridos pela indústria da televisão pública ou privada, são um instrumento público a serviço do bem comum; não são somente um terreno marcado por interesses comerciais ou um instrumento de poder ou de propaganda para determinados grupos sociais, econômicos ou políticos; existem para servir ao bem-estar de toda a sociedade.

A família, como célula fundamental da sociedade, merece, portanto, ser assistida e defendida com medidas apropriadas por parte do Estado e das outras instituições (Mensagem para celebração do Dia da Paz, 1994, n. 5). Isto ressalta a responsabilidade que cabe às autoridades públicas quanto à televisão.

Reconhecendo a importância de um livre intercâmbio de idéias e de informações, a Igreja sustenta a liberdade de expressão e de imprensa (cf. Gaudium et spes, n. 59). Ao mesmo tempo, insiste no fato que "deve ser respeitado o direito de cada um, das famílias e da sociedade, à privacidade, à decência pública e à proteção dos valores fundamentais da vida" (Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais, Pornografia e violência nos meios de comunicação: uma resposta pastoral, n. 21.) As autoridades públicas são convidadas a fixar e a fazer respeitar modelos éticos razoáveis para a programação, que promovam os valores humanos e religiosos sobre os quais se baseia a vida familiar e que façam desprestigiar tudo o que é prejudicial; as autoridades deveriam, além disso, promover o diálogo entre a indústria da televisão e o público, fornecendo estruturas e ocasiões para que isso possa acontecer.

Os organismos religiosos, por sua vez, podem prestar um serviço excelente às famílias instruindo-as sobre os meios de comunicação social e oferecendo-lhes opiniões sobre filmes e programas. As organizações eclesiais de comunicação social podem também ajudar as famílias, onde houver recursos disponíveis, produzindo e transmitindo programas para a família ou promovendo este tipo de programação. As Conferências Episcopais e as dioceses deveriam inserir forçosamente no seu programa pastoral para as comunicações sociais a "dimensão familiar" da televisão (Aetatis novae, nn. 21 e 23).

Trabalhando para apresentar uma visão da vida para um vasto público que compreende crianças e adolescentes, os profissionais da televisão têm a possibilidade de valer-se do ministério pastoral da Igreja, que pode ajudá-los a valorizar os princípios éticos e religiosos, e conferir um significado pleno à vida humana e familiar: "Programas pastorais que respondam exatamente às condições particulares de trabalho e aos desafios éticos, com os quais se defrontam os profissionais da comunicação. Com efeito, estes programas pastorais deveriam comportar uma formação permanente, que possa ajudar estes homens e estas mulheres — muitos dos quais desejam sinceramente saber e praticar o que é justo no campo ético e moral — a estarem cada vez mais impregnados de critérios morais, tanto no setor profissional como na vida privada" (ibidem, n. 19).

A família, baseada no matrimônio, é uma comunhão única de pessoas, constituída por Deus como "núcleo natural e fundamental da sociedade" (Declaração Universal dos Direitos do Homem, art. 16, 3).  A televisão e os outros meios de comunicação social têm um poder imenso para sustentar e reforçar esta comunhão no interior da família, a solidariedade para com outras famílias e o espírito de serviço para com a sociedade.

A Igreja — que é comunhão na verdade e no amor de Jesus Cristo, Palavra de Deus —, agradecida pela contribuição que a televisão, como meio de comunicação, tem dado e pode dar a esta comunhão no interior da família e entre as famílias, aproveita a oportunidade do Dia Mundial das Comunicações Sociais para encorajar as mesmas famílias, os que trabalham nos meios de comunicação social e as autoridades públicas a realizar plenamente o nobre mandato de sustentar e reforçar a primeira e mais vital "célula" da sociedade, a família.

 

Cidade do Vaticano, 24 de Janeiro de 1994.

PAPA JOÃO PAULO II

ESPIRITUALIDADE NO TRABALHO

O Homem deve imitar Deus quando trabalha, assim como quando repousa. O homem, mediante seu trabalho, participa na obra do Criador e, em certo sentido, continua desenvolve-la e a completá-la. João Paulo II, em Laborem Exercens.

O trabalho é "um bem do homem", porque através dele "o homem não só transforma a natureza adaptando-a às próprias necessidades, mas realiza-se a si mesmo como homem e, num certo sentido, torna-se mais homem". Bento XVI em Munique, dia 14 de setembro de 2006.

 

Quando ouvirdes falar de guerras e subversões, não vos atemorizeis – Lucas 21,9

É pela perseverança que mantereis vossas vidas – Lucas 21,19.

É de perseverança que tendes necessidade, para cumprir a vontade de Deus e alcançar o que ele prometeu. Paulo aos Hebreus 10,36

E se esperamos o que não vemos, é na perseverança que o aguardamos. Paulão aos Romanos 8,25

Deus é fiel, não permitirá que sejais tentados acima das vossas forças. Mas, com a tentação, ele vos dará os meios de sair delas e a força para a suportar. Paulo aos Corintios 10,13

 

A espiritualidade no trabalho é uma maneira de colocar a fé em obras.

-          Se alguém disser que tem fé, mas não tem obras, que lhe aproveitará isso? – Thiago 2,14

Paulo, em carta aos Romanos 2,6 acrescenta:

-          Deus retribuirá a cada um segundo suas obras.

A mobilização é necessária para se aprofundar as convicções de fé, suscitar a conversão do coração e fortificar a vontade de seguir a Cristo.

-          Deus coopera em tudo para o bem daqueles que o amam, daqueles que são chamados segundo seu desígnio. Paulo aos Romanos 8,28

Em João 6,28, são questionadas as formas para trabalhar nas obras de Deus. A obra de Deus é que acrediteis naquele que enviou.

-          Eu, porém, tenho um testemunho maior que o de João: são as obras que o Pai me encarregou de realizar – João 5,36

Mateus 22,21

-          Devolvei o que é de César a César e o que é de Deus, a Deus.

Mateus 6,2

-          Não podeis servir a Deus e ao dinheiro.

Mateus 6,21

-          Onde está o teu tesouro, aí estará também teu coração.

Mateus 12,35

-          O homem bom, do seu bom tesouro tira o bem.

O esforço na Espiritualidade:

-          Segue-me e deixa que os mortos enterrem seus mortos – Mateus 8,22

-          Portanto, deveis ser perfeitos como o vosso Pai Celeste é prefeito – Mateus 5,48

-          Não tenhais medo – Lucas 12,32

-          O Espírito Santo vos ensinará naquele momento o que deveis dizer – Lucas 12,12

-          Se até as coisas mínimas ultrapassa o vosso poder, por que vos preocupar com as outras – Lucas 12,26.

 

Entendendo o momento:

-          Deus vai ter abençoar em todas as tuas colheitas e em todo trabalho da tua mão, para que fiqueis cheio de alegria – Deuteronômio 16,15.

-          Nada há de oculto que não venha a ser manifesto e nada em segredo que não venha à luz do dia. Se alguém tem ouvidos para ouvir, que ouça! Marcos 4,22.

-          Jesus disse a ela: minha filha, a tua fé te curou. Vai em paz e fica curada desse teu mal – Marcos 5,34.

-          Tende confiança. Sou eu. Não tenhais medo. Marcos 6,50.

-          Tudo é possível para aquele que crê – Marcos 9,23

-          Aos homens é impossível, mas não a Deus, pois para Deus tudo é possível – Marcos 10,27

-          O filho do homem não veio para ser servido, mas para servir – Marcos 10,45.

-          Aquele que crer e for batizado será salvo. O que não crer será condenado – Marcos 16,16.

São Paulo aos Corintios oferece subsídios para entender a Espiritualidade no Trabalho:

-          Tudo é permitido, mas nem tudo convém. Tudo é permitido, mas nem tudo edifica – 10,23.

-          O que quer que façais, fazei tudo para a glória de Deus 10,31.

Também no trabalho, permanecem 3 coisas:

-          A fé, a esperança e o amor, mas o amor é o maior 13,13.

-          Deus não é um Deus de desordem, mas um Deus de paz 14,32.

 

Dom Hélder Câmara - arcebispo de Olinda e Recife – escreveu:

Quem se arranca de si e parte como peregrino da justiça e da paz prepara-se para enfrentar desertos.

Quem quer participar a construção de um mundo mais justo e mais fraterno não desanima, não perde a esperança.

É graça divina começar bem. Graça maior, persistir na caminhada certa, manter o ritmo. Mas a graça das graças é não desistir.

 

Dom Luciano Mendes de Almeida – arcebispo de Mariana – ensinou:

Ajuda-me pensar que Espiritualidade pode ser entendida como a vida humana à luz do Espírito Santo que Deus nos deu para enfrentarmos os embates, dificuldades da vida quotidiana.

-          O trabalho como realização da pessoa humana (quem não trabalha acaba por gastar a vida em coisas secundárias e até prejudiciais) e como necessidade de cooperar para o bem comum, requer uma forte motivação interior para dedicar-se quotidianamente a árduo esforço para cumprir o dever, o cansaço, a rotina, etc. Esta motivação nos vem do anseio de realizar a nossa missão nesta vida ( a vontade de Deus) e a certeza de contarmos com a proteção divina.

Deus não falha em nos conceder sua graça para cumprirmos sua vontade.

-          Precisamos, também, manter o coração em união com Deus, que entrando em comunhão ( oração) constante que sustenta, alivia e fortalece a nossa capacidade de lutar e vencer. Esta união com Deus faz parte da espiritualidade do trabalho como cumprimento filial da vontade divina: a mãe da família, o pai que trabalha, o operário que sustenta seu lar, etc. tudo acontece (e deve acontecer sempre mais) na alegria da presença, da proteção divina.

Considerar ainda a satisfação de quem pelo trabalho faz bem a seus irmãos e irmãs em nome de Deus. Assim lembro a alegria da enfermeira que trata com amor de um doente, do trabalhador rural que alimenta sua família etc. É uma alegria evangélica – feliz quem faz os outros felizes – Assim, o trabalho é uma excelente oportunidade de praticar a caridade fraterna e de experimentar a alegria do amor gratuito.

-          O trabalho na perspectiva da espiritualidade cristã se beneficia da motivação do amor, da união com Deus que dá forças para o trabalho e da alegria de fazer o bem aos outros.

 

Pontos Específicos

Fundamental estarmos convencidos de que sozinhos não podemos discernir a vida de uma comunidade. Os outros são necessários.

O importante é cada um saber se purificar de seu subjetivismo e perceber a ação de Deus, criando uma plurivalência no interior da comunidade, que, a seu tempo, dará o fruto desejado.

O processo de discernimento: o mais difícil é saber quando a moção vem de Deus:

-          Houve crescimento da fé?

-          Cresceu a paz, cresceu a alegria espiritual?

-          Cresceu o perdão, o serviço mútuo, a gratuidade?

Quando deixamos de lado pequenos apegos e comodismo é sinal da presença do Espírito Santo. A criatividade evangélica, descobrindo novos caminhos, indica a origem divina das moções espirituais.

A espiritualidade no trabalho chama a criatividade evangélica pela disponibilidade ao serviço divino. A espiritualidade no trabalho ensina a comunidade a perceber e interpretar a vontade de Deus. A espiritualidade no trabalho permite sentir a presença de Deus que fortifica e guia seus membros.

 

Salmo 118,6

-          O senhor está a meu favor, não tenho medo de nada.

 

O evangelho de São João tratando da espiritualidade:

João 3,36

-          Aquele que crê no Filho tem a vida eterna.

João 4,24

-          Deus é espírito e por isso os que o adoram devem adorar em espírito e verdade.

João 5,24

-          Aquele que ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna.

João 14,12

-          Aquele que crer em mim fará também as obras que eu faço.

João 16,23

-          Se pedirdes alguma coisa a meu Pai em meu nome, Ele vo-la dará.

João 16,33

-          Tende confiança, eu venci o mundo.

PADRE MAZULA DEFENDE COMPROMISSOS NA FÉ

O padre barretense e pró – reitor de extensão e ação comunitária do Centro Universitário Claretiano de Batatais, Ronaldo Mazula, acredita que a perda de fieis da igreja católica é “questão muito complexa”.

-          A igreja  católica espera cristãos participantes, que receberam os sacramentos do batismo, crisma, do casamento e partilhem uma fé autêntica, num vínculo de fidelidade a Cristo.

Sem os compromissos com a fé e a doutrina, sem uma catequese madura e uma espiritualidade renovada, muitos acabam indo para outras seitas. A complexidade é ainda maior em relação aos jovens, que praticam uma fé subjetiva, sem maturidade e profundidade. O padre assinala que a há um processo de “desinstitucionalização da fé” ou “uma fé sem quadros”.

Ao analisar a Campanha da Fraternidade sobre Segurança Pública realizada pela CNBB em 2009, o padre Ronaldo Mazula explica que a igreja católica não deseja solucionar o problema da violência sozinha, porem chamar a atenção e propor uma reflexão para o tema. O pró-reitor claretiano pondera que até mesmo vários sacerdotes foram assassinados e vítimas da violência no Brasil durante o ano de 2009.

-          Todos somos reféns da violência urbana no Brasil – acrescenta.

 

EDUCAÇÃO

O padre Ronaldo Mazula aposta na educação como caminho para o desenvolvimento humano. “A educação tem um papel insubstituível e indispensável”, alerta, lembrando que os dados brasileiros mostram que comunidade universitária não chega a 15% da população e aproximadamente 40% dos professores não tem ensino superior. Hoje falta capacitação e investimento no professor, admite.

-          Temos a necessidade de superar o positivismo na educação e emprega-la em todos os segmentos da vida humana. A educação precisa ser exercida em plenitude, conduzindo o aluno a sua autonomia e mostrando o sentido da vida – diz o sacerdote.

Sobre a encíclica Caridade na Verdade, do papa Bento XVI, padre Ronaldo acredita ter despertado a consciência da sociedade mundial, refletindo também no Brasil.

-          “O capitalismo neoliberal cria oceanos de miséria com algumas ilhas de privilegiados”, afirma o sacerdote.

A encíclica convida todos a refletir sobre os mais de 1 bilhão de pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza, pregando um amor que seja solidário, que gere defesa dos direitos humanos e fomente o cuidado pela vida e sua totalidade.

 

ESPERANÇA

O padre Ronaldo Mazula espera para 2010 maior conscientização de lideranças políticas na construção de um país mais honesto, menos corrupto. O pro-reitor claretiano defendeu ainda maior responsabilidade dos Meios de Comunicação Social para construção de uma ética responsável e humana, eliminando a banalidade que domina hoje a grande parte da imprensa.

- A minha esperança é que todos os cidadãos tenham acesso à educação, a saúde, a moradia e ao trabalho, e acima de tudo, esperança de que cada brasileiro assuma o papel responsável e consciente de ser agente na transformação na construção do Brasil que todos desejamos. A minha esperança é que o Deus da Vida e do Amor possa entrar no coração e na mente de todos nós”, diz o padre.

O Padre Ronaldo Mazula estará de 5  a  27 de fevereiro de 2010 em Moçambique, na África, coordenando projeto solidário junto com professores, alunos e funcionários voluntários das faculdades e colégios mantidos pelos Missionários Claretianos do Brasil. O trabalho atende as áreas de educação e saúde de crianças, jovens e adultos.

O projeto Claretiano Solidário é promovido pelo Centro Universitário Claretiano de Batatais.

 

Maristela Domingues, especial para O Diário.

Rezando com Santa Bakhita

“Santíssima Trindade, Pai, Filho, Espírito Santo”.

- Nós vos agradecemos pelos dons de humildade e caridade que infundis em vossa serva Josefina Bakhita.

Dignai-vos glorificá-la por suas extraordinárias virtudes, atendendo as orações de todos que a invocam.

Cruzada da Caridade e Amor Universal

1) Respeita toda pessoa, porque nela vive Cristo.

2) Pensa bem de todos. Procura ver o bem também naqueles que te parecem piores ou maus.

3) Fala sempre bem de todos.

4) Fala com todos a linguagem do amor. Não sejas motivo de desgosto.

5) Perdoa tudo e a todos. Jamais guarda rancor.

6) Age de maneira que as tuas ações favoreçam a todos.

7) Participa vivamente da dor alheia.

8) Trabalha com dignidade, para que todos gozem o fruto do teu trabalho.

9) Sacrifica algo do que possues em favor dos que nada ou pouco têm. Saiba descobrir ao teu redor aqueles que necessitam do teu auxílio.

10) Reze por todos, também pelos inimigos.

...Nisto Conhecerão que és discípulo de Cristo.

Papa João XXIII

Obras na capela de Santa Bakhita

O padre Dionísio Helki recebeu a comissão de construção da capela de Santa Bakhita para avaliar os serviços de implantação do forro. O sacerdote reafirmou decisão da equipe de promover uma cerimônia festiva no dia 8 de fevereiro de 2009, festa da padroeira.

- Os serviços de colocação do forro são rápidos. O trabalho será concluindo no máximo em 8 dias – adiantou.

Após os serviços no teto, serão instaladas as novas luminárias superiores. Em seguida, tem início o trabalho de pintura interna.

Um grupo de leigos das áreas de marketing, história e comunicação esteve conhecendo a capela de Santa Bakhita na Vila Gomes. O empresário Nilson Barroso, doador da área para construção do Centro Comunitário, visitou a capela, observando o andamento das obras e conversando com o sacerdote e a comissão de construção.

A universitária Karla Armani participou do encontro, manifestando apoio ao projeto de desenvolvimento estudos sobre santa Bakhita e a inculturação da comunidade barretense.

Adriano Vieira – design da área de informática – ouviu detalhes do projeto de construção da capela de Santa Bakhita e admitiu a possibilidade de construção de um site para fomento da devoção a santa do Sudão canonizada em 2000 pelo papa João Paulo II.

O padre Dionísio Helki está empolgado com os trabalhos desenvolvidos na paróquia. Além da igreja de Santo Antonio, no conjunto habitacional Cristiano Carvalho, o sacerdote tem coordenado com zelo pastoral a implantação da capela de Santa Bakhita.

- Após o retorno de Roma de dom Edmilson Caetano, a comissão vai levar ao bispo as idéias criativas propostas para a igreja. O objetivo é fazer com que no futuro, a capela se transforme num santuário com atendimento religioso, espiritual, cultural e social – sustentou o padre Dionísio Helki.

 

BRASILEIRA

A canonização de Santa Bakhita está relacionada com uma brasileira da diocese de Santos. Eva da Costa participou em 27 de maio de 1992 de um grupo de orações e ouviu a religiosa relatar torturas sofridas por Bakhita. A brasileira ficou impressionada e comovida ao ouvir os sofrimentos muito semelhantes aos seus que, instintivamente, leva as mãos às feridas das pernas e, em silêncio, reza, suplica, pede ajuda humildemente:

- "Bakhita, você sofreu tanto, por caridade, me ajude, cure as minhas pernas, por caridade!".

Na quarta-feira seguinte, 3 de junho de 92, Eva da Costa voltou à novena, na catedral. Aguardou o fim da oração e chamou irmã Regina de lado, mostrando-lhe as pernas curadas. A irmã, que se lembra bem do que havia visto apenas algumas semanas antes, começa a lhe fazer perguntas. Apresentado o caso a Santa Sé, com diversos laudos médicos, a cura de Eva da Costa é considerado milagre e faz avançar o processo de canonização de Josefina Bakhita, a afortunada.

 

BISPO

A canonização de Santa Bakhita aconteceu na Praça de São Pedro, no Vaticano, em outubro de 2000.

Durante o programa Tribuna Independente, na Rede Vida, o atual bispo de Santos, dom Jacyr Francisco Braido, relatou sua experiência com a santa protetora dos aflitos.

- Estava em Roma naquele domingo, desenvolvendo trabalhos pastorais. Quando desci para a Praça do Vaticano, uma barreira de soldados bloqueava o meu caminho. Expliquei que era sacerdote e conseguir chegar até o telão. Foi neste momento em ouvi o papa João Paulo II anunciar a canonização de Bakhita.

Dom Jacyr Braido contou que teve oportunidade de conversar com dom David Picão, bispo de Santos na época e seu antecessor. “Eu estava em Roma naquele momento e hoje sou o bispo de Santos”, disse dom Jacyr Braido, enfatizando que a primeira igreja construída para Santa Bakhita foi erguida justamente na baixada santista.

 

Caderno Vida/O Diário de Barretos

 

      

 
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