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A ENTREVISTA Com o falecimento de Dom José de Mattos, o Papa nomeou Dom
Antonio Maria Mucciolo para bispo de Barretos. A diocese
abrigou o pastor de 77 a 89, quando a Santa Sé o promoveu
para Arcebispo de Botucatu. Quando o jornalista Monteiro
Filho idealizou o projeto da Redevida de Televisão, contou
com o apoio de Dom Antonio Maria Mucciolo, que assumiu a
presidência do Conselho Superior do Instituto Brasileiro de
Comunicação Cristã. A emissora entrou no ar dia 20 de junho
de 1995 e o arcebispo vem inclusive apresentando semanalmente
o programa Frente a Frente, na emissora. Ao visitar os estúdios da TV em Brasília, no prédio Cardeal José Freire Falcão, o presidente do INBRAC concedeu entrevista exclusiva para o Diário de Barretos. O arcebispo emérito de Botucatu conversou sobre a emissora avaliando a trajetória da RedeVida e seus projetos para o futuro. LUIZ ANTONIO: A Redevida tem com missão ser o Canal da Família. A emissora está conseguindo cumprir seu objetivo? DOM ANTONIO: Eu penso que sim. Estou plenamente satisfeito. Quando idealizamos esta TV, tivemos por base colocar a família em primeiro lugar. A RedeVida queria ter uma diretriz voltada para a valorização da família. LUIZ ANTONIO: Qual o motivo desta opção pela família? DOM ANTONIO: Caríssimo amigo, se olharmos a Santíssima Trindade é uma família. Pai, Filho e Espírito Santo formam uma família. Quando Cristo veio a terra, teve uma família humana. O nosso grande papa João Paulo II apresentou uma encíclica, um documento maravilhoso sobre a família. Portanto, a família é importantíssima na vida humana e não pode ser esquecida. A RedeVida tem pautado todo seu enfoque justamente nesta linha de valorizar a família brasileira. LUIZ ANTONIO: Qual o maior desafio da RedeVida hoje? DOM ANTONIO: No mundo de hoje, com tantas coisas acontecendo, o nosso maior desafio é atender um campo coletivo que exige diferentes setores de observação. Devemos dizer até que nestes oito anos de implantação da TV, quando existia apenas um papel de autorização, foi uma longa jornada sempre superando novos desafios. É claro que estamos em caminhada, com desafios ainda maiores pela frente. São desafios no campo cultural, de formação de informação. Mas existem desafios também econômicos que precisamos superar. A RedeVida tem um imenso desafio de implantar estúdios semelhantes ao existente em Brasília em todas as capitais brasileiras. Queremos integrar cada vez mais todas as regiões e os estados brasileiros. LUIZ ANTONIO: A RedeVida, como emissora nacional de Televisão, tem papel político? DOM ANTONIO: Deve ter. O que é política? Política é a arte do bem comum visando a melhoria das cidades, da vida das pessoas. Se o político não melhorar sua cidade, está errado. Assim também, no campo das comunicações sociais. A TV precisa fazer com que exista uma promoção humana. A igreja não pode ficar afastada da política. Não faz política partidária, mas incentiva pessoas que entrem na política. E a televisão, a RedeVida, como veículo de comunicação, deve promover a política do bem comum. Do contrário, seria alienada. LUIZ ANTONIO: A RedeVida de Televisão tem sido critica por ser uma emissora religiosa. Como o senhor recebe estas críticas? DOM ANTONIO: Não é bem assim. A RedeVida não é uma emissora religiosa no sentido católico. Posso dizer que 30% de sua programação é destinada a assuntos religiosos, com missas, terços, instruções pastorais e pregações espirituais. Mas 70% tem um leque de programação bem variado, incluindo futebol, debates políticos, saúde, economia, psicologia, direito e justiça e musicais. Temos programas para crianças e jovens. LUIZ ANTONIO: Tem dinheiro do Vaticano na RedeVida? DOM ANTONIO: Tive oportunidade de explicar em outras ocasiões, que de jeito nenhum o Vaticano manda dinheiro para manutenção da RedeVida. É portanto, uma falsa idéia, algumas vezes até mesmo uma calúnia dizer que a RedeVida se sustenta com dinheiro da Santa Sé. LUIZ ANTONIO: Mas a nunciatura apostólica tem bom relacionamento com a TV e o INBRAC? DOM ANTONIO: Sim. Inclusive tive oportunidade de entrevistar no meu programa na Redevida o núncio apostólico no Brasil, Dom Lorenzo Baldisseri. Durante uma hora, o núncio falou sobre os vinte cinco anos do pontificado de João Paulo II. LUIZ ANTONIO: Senhor arcebispo, como o episcopado brasileiro vê a emissora? DOM ANTONIO: No começo, quando instalamos a RedeVida em 93, eram muitas dificuldades e desconfiança por parte dos bispos. Mas na medida em que o episcopado foi percebendo que a televisão estava cobrindo o Brasil também no campo de evangelização e atendendo aos critérios éticos, cívicos, morais e cristãos, a adesão foi crescente. Hoje, o nosso episcopado, não posso dizer nenhum índice porcentual, mas vejo que está aplaudindo e incentivando o trabalho da RedeVida de Televisão. LUIZ ANTONIO: O presidente do INBRAC tem algum exemplo desse apoio? DOM ANTONIO: Tenho muitas cartas e depoimentos. Mas me lembro bem de um caso em Natal, no Rio Grande do Norte. Estive com o arcebispo Dom Heitor Sales, que me contou seu encontro com uma velhinha na sacristia após a celebração da Santa Missa. Ela chegou dizendo que o céu tinha entrado na sua casa. Quando o arcebispo indagou como isso foi possível, ela respondeu que estava capitando as imagens da RedeVida de Televisão. "É uma coisa maravilhosa", disse a velhinha para o arcebispo de Natal. E Dom Heitor me contou o caso cheio de entusiasmo. LUIZ ANTONIO: O padre Marcelo Rossi tem vários programas na RedeVida de Televisão. Qual a sua opinião pessoal em relação ao Padre Marcelo Rossi? DOM ANTONIO: Eu coloco algumas observações pessoais sobre o padre Marcelo Rossi. É um sacerdote carismático. É um homem que de fato entrou para os meios de comunicação e fez um belo trabalho de evangelização por todo Brasil. Ninguém nega isto. Um moço como ele, que atrai milhões de pessoas, deve ser uma coisa extraordinária. Mas não aceito no Padre Marcelo nem outros sacerdotes um certo fanatismo. Isto não. Precisamos numa missa conservar o que é a parte sacra e separar aquilo que é teatro. São coisas bem diferentes. LUIZ ANTONIO: Qual a situação financeira da RedeVida? DOM ANTONIO: No sentido financeiro, a emissora vem mantendo equilíbrio. Estamos caminhando com os pés no chão. A emissora não tem dívidas e existe um controle entre receita e despesa. LUIZ ANTONIO: E quais os planos para o futuro? DOM ANTONIO: Queremos que a RedeVida seja implantada de maneira extraordinária. Na medida em que o INBRAC conseguir recursos financeiros será possível melhorar a programação. Precisamos elevar a nossa receita para investir na grade de programação. Muitas coisas ainda não foram possíveis colocar no ar porque não temos dinheiro suficiente para tanto. O fundador da RedeVida, o jornalista Monteiro Filho, está sempre dizendo: ah! se eu tivesse uma receita bem maior a RedeVida seria ainda melhor. LUIZ ANTONIO: O senhor é o presidente do Conselho? Como é formado o Conselho do INBRAC? DOM ANTONIO: O Conselho Superior da RedeVida é formado por onze conselheiros do Instituto Brasileiro de Comunicação Cristã. Há um encontro mensal para analisar os aspectos administrativos e definir os projetos para o futuro. O conselho é formado por Dom Luciano Mendes, arcebispo de Mariana; Dom Orani João Tempesta, bispo de Rio Preto; Dom Fernando Figueiredo, de Santo Amaro; Dom Altamiro Rossato, arcebispo emérito de Porto Alegre e eu, que sou arcebispo emérito de Botucatu. Temos ainda mais quatro leigos, um padre franciscano e uma religiosa. LUIZ ANTONIO: Qual a sua visão sobre a televisão brasileira de hoje? DOM ANTONIO: A minha opinião é que temos programas bons em diversos canais de televisão. Mas infelizmente, também temos coisas ruins na TV brasileira. Um dia um juiz comentou comigo, que sua alegria era poder sentar na sala, reunindo toda família para ver a RedeVida. Isto ele não conseguia fazer com os outros canais. Não quero condenar a programação da TV brasileira por causa de algumas novelas, certas entrevistas, mas existem programas prejudicando a formação da juventude e da própria família. LUIZ ANTONIO: Qual a sua mensagem ao povo da RedeVida? DOM ANTONIO: Sempre peço ao povo que reze pela RedeVida. O objetivo do INBRAC é melhorar sempre mais a Redevida. Queremos que o Canal da Família possa de fato trazer sinais positivos em todos os campos da comunicação humana, inclusive na área da evangelização. Gostaria muito que no futuro, esta televisão fosse compreendida em sua missão. A RedeVida, como emissora de televisão, tem exigido muito sacrifício, mas também tem proporcionado muitas alegrias.
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